Xô Censura !

Agosto 12, 2009

Baixaria: Ameaças para enfiar Lei Azeredo goela abaixo

ÍNTEGRA DA CARTA DA IIPA PARA O USTR

A International Intellectual Property Alliance (IIPA) mandou um ofício para o Escritório do Representante Comercial do Estados Unidos (USTR) para manter o Brasil na Lista de Observação do Relatório "301 Especial" do dito órgão estatal; a lista é composta de países em que os EUA têm mais preocupações com os direitos autorais.

Trechos do documento e meus comentários:

Priority actions requested to be taken in 2009: The copyright industries recommend that the following actions be taken in the near term in Brazil in order to improve the adequate and effective protection of copyrighted materials:

(…)

• Improve actions against Internet piracy. This includes conducting ex officio actions on facilities that knowingly offer public access to unauthorized peer-to-peer programs, particularly those locations that facilitate or enable unauthorized transactions by providing the materials required for copying downloads (e.g. blank CD-Rs).
• Have the CNCP continue to support discussions between the copyright industries and the Internet Service Provider (ISP) community to combat Internet piracy.

Ações priotárias a serem tomadas em 2009: As indústrias do copyright recomendam que as seguintes ações sejam tomadas no curto prazo no Brazil para melhorar a proteção adequada e efetiva dos materiais protegidos:

(…)

Melhorar ações contra a pirataria na Internet. Isto inclue ações ex officio em locais que sabidamente oferecem acesso público a programas P2P não-autorizados, particularmente aqueles que facilitam ou disponibilizam transações pelo fornecimento de materias necessários para copiar arquivos baixados (por exemplo, CDs virgens);

Fazer o CNPC continuar o apoio a discussões as indústrias do copyright e a comunidade dos provedores de acesso à Internet (ISP) para o combate a pirataria;

O que diabos é uma "ação ex officio"? Isto seria o fim de mandados judiciais? Quais são os programas P2P não-autorizados? Aliás, quem diz qual programa é ou não autorizado? Teríamos que monitorar cada PC em cada lan house no Brasil? Virou crime copiar um arquivo para um CD virgem? É, o texto é maliciosamente vago como a Lei Azeredo.

Legislation
• Work with the House of Deputies’ Anti-piracy Special Committee to pass pending legislation aimed at providing and enhancing the tools and measures necessary to conduct effective copyright enforcement (such as making criminal copyright cases move faster, permitting sampling of forensic evidence, making camcording a crime, adopting the cybercrime bill). (grifo meu)

Legislação

Trabalhar com a Comissão Especial de Combate à Pirataria da Câmara dos Deputados para aprovar legislação pendente com o objetivo de dar e melhorar as ferramentas e medidas necessárias para uma aplicação efetiva dos direitos autorais (como fazer processos penais de direitos autorais tramitarem mais rápido, permitir uso de amostras em perícias, fazer do ato de filmar um crime e adotar a lei do cibercrime).

Mal chegamos na segunda página e o apoio explícito a Lei Azeredo vem a tona. Sem Lei Azeredo, sanções comerciais? Seria isto?

Amend the Digital TV bill to include a provision prohibiting the retransmission of digital audiovisual content on the Internet.

Emendar o projeto de lei da TV digital para incluir uma proibição de retransmissão de conteúdo audiovisual digital na Internet.

E se eu, dono duma TV, quiser transmitir meus programas na Internet, não posso? Vou perder minha concessão ou ir para a cadeia por colocar um feed do meu canal de TV no meu site?

Brazil is a beneficiary country of the U.S. Generalized System of Preferences program (GSP). The GSP program requires that a beneficiary country provide “adequate and effective” protection to U.S. copyrighted materials. During 2008, $2.75 billion worth of Brazilian goods entered the U.S. under the duty-free GSP code.

O Brasil é um país beneficiário do Sistema Geral de Preferências dos Estados Unidos (GSP). O GSP requer que um país beneficiário tenha proteções "adequada[s] e efetiva[s]" de material autoral dos EUA. Em 2008, US$ 2,75 bi de bens brasileiros entraram nos EUA via GSP.

Este trecho eu o chamo carinhosamente de "cláusula da chantagem". E não preciso mais comentar.

Have the State of São Paulo University (USP) reverse its harmful administrative rule which allows widespread reprographic copying of portions of books by commercial, for-profit copy centers, and institute guidance for other universities that have followed in USP’s footsteps.

Fazer a Universidade de São Paulo (USP) revogar sua danosa regra administrativa que permite a cópia reprográfica generalizada de partes de livros por centros de cópias comerciais com fins lucrativos e aconselhar outras universidades que seguiram os passos da USP.

Não vou perder meu tempo com as redundâncias do trecho acima. Em primeiro lugar, é impossível para uma instituição como a USP controlar cópias dentro e fora dos seus campi. Segundo, a IIPA parte do pressuposto que todo material xerocado está sobre proteção, o que não é verdade; muitas cópias são de conteúdos que caíram no domínio público, obras com copyleft e por aí vai.

Below is a summary of various bills pending in Brazil that are of particular interest to the copyright industries.

Bill on forensics and destruction of illegal products: This proposal would establish a system to facilitate forensic experts’ work. It would allow criminal judges to appoint private sector experts and would secure increases in government resources allocated to fighting software piracy. The initiative contains provisions allowing private sector to appoint experts, anticipates destruction of seized merchandise and sampling of pirate seized goods for experts’ reports purposes. It would also allow law enforcement to destroy seized material before the final judgment.

(…)

Cybercrime Bill (Bill 89/2003): BSA reports that Bill 89/2003 advanced last year and was approved by the Senate, but is still under consideration by the Chamber, and this bill is expected to pass in 2009. This bill amends the Penal Code to create criminal sanctions for Internet crimes, such as child pornography, invasion of privacy, identify theft, and the like. There also is a provision which establishes that ISPs shall only provide information regarding users to authorities with a judicial request; MPA is lobbying to have this particular proposal modified in order to allow ISPs to provide users’ information through a court order and not only to police authorities and prosecutors.

Abaixo, um resumo de vários projetos de lei pendente no Brasil que são de particular interesse para as indústrias do copyright:

Projeto de lei sobre perícias e destruição de bens ilegais: Este projeto estabelece um sistema que facilita o trabalho dos peritos. O PL permite juízes criminais designar peritos do setor privado e assegura aumento nos recursos alocados para o combate a pirataria de software. O PL contém provisões que permitem o setor privado contratar peritos, antecipar a destruição de produtos apreendidos e o uso de amostragem de bens piratas apreendidos para perícia. O PL também permite a destruição do material apreendido por parte das autoridades antes da sentença final.

(…)

Lei dos Cibercimes (PL 89/2003): A BSA reporta que o PL 89/2003 andou ano passado e foi aprovado pelo Senado, mas ainda está em deliberação na Câmara, e espera-se que o PL passe [na Câmara] em 2009. O PL emenda o Código Penal penalizando crimes na Internet como a pornografia infantil, invasão de privacidade, roubo de identidade e correlatos. Há uma provisão que estabelece que os ISPs só fornecerão dados concernentes a usuários as autoridades com uma ordem judicial; MPA está fazendo lobby para que este trecho em particular seja modificado para permitir que ISPs forneçam dados dos usuários não só sobre ordem judicial mas para autoridades policias e Ministério Público.

Processo ainda não acabou? Sorry, as provas foram parar no incinerador. Melhor sorte no próximo julgamento! E dane-se direitos que a humanidade deu seu sangue para conquistar. Mandado judicial para quebra de sigilo? Isto está tão fora de moda.

Agora, vossos comentários.

Dica do Hiperfície.

Abril 8, 2009

Na calada da noite…

É na calada da noite que as coisas acontecem…

Coisas que não podem ser feitas em público, acontecem na calada da noite…

É na calada da noite que os limites se ampliam, na certeza da escuridão que tudo oculta…

É na calada da noite que fazemos as coisas que não podemos fazer durante o dia, ou que jamais fariamos de dia…

É na calada da noite que os valores éticos e morais são postos à prova, pois há a certeza da escuridão que tudo oculta…

É na calada da noite que o homem vira lobisomen, que o vampiro aparece e que a sombração acontece…

É na calada da noite que a sociedade está desligada do mundo e ligada no seu lar…

É na escuridão que tudo oculta que acontecem os piores roubos, os piores golpes…

É na calada da noite que o homem vira bandido, que o vampiro suga a sociedade, que o terror começa…

É na calada da noite que o moralista vira hipócrita, que o certo vira torto e o justo vira injusto…

É na calada da noite que as mascaras caem, que a realidade se expoem por trás do véu das más intenções…

É na calada da noite que agem os criminosos, que agem os mal intencionados…

É na escuridão que tudo oculta que que o vigilantismo avança, que mal avança, de dia disfarcado de cordeiro, de noite o lobo apareçe…

Foi na calada da noite que o Azeredo aprovou o seu projeto no Senado , sob o manto da pedofilia, passou disfarçado, seguiu, foi para a Câmara….

Foi na calada da noite que a França aprovou um projeto que pune quem faz download

É na calada da noite que as coisas ruins acontecem, não entendo como tem gente que ainda acredita nas “boas” intenções do projeto de cibercrimes. Pelo menos sabemos que pela regra do 1%, 14,2 milhões de Brasileiros tomaram conhecimento da petição, 1,42 milhões leram a petição e 142 mil à assinaram. Mas mesmo assim, os nossos nobres representantes, ao menos foram eleitos para nos representar, ignoram totalmente esta parcela da população. Ainda bem que eles agem assim, na calada da noite, de forma velada, e agora descarada, usando de todos os artifícios para aprovar um projeto inócuo e inútil, que transformará do dia para a noite milhões de Brasileiros em criminosos. Soltaram o bode no congresso, mais uma estratégia dos agentes da vigilância, não se enganem, estamos vivenciando a implantação do estado vigilantista no mundo, a ditadura do capital, na verdade não estão querendo combater cibercrimes, terrorismo, e nem a pirataria, querem combater a nós mesmos. Quando isto vai acontecer não sabemos, mas sabemos que o mal nunca dorme e ataca na calada da noite…

Abril 2, 2009

Deu bode no congresso

Foto de um bode sorrindo

Foto de um bode sorrindo

Quando todos esperávamos por uma proposta sensata do substitutivo que estava sendo elaborado pelo Ministério da Justiça, para o PL 84/99, o PL do Azeredo, fomos surpreendidos por um assustador Frankstein jurídico. Surgiu um pavoroso artigo 22, para quem não conhece, o artigo 22 do PL do Azeredo é aquele que obriga o provedor a manter o registro de conexão por três anos, e outras coisas mais. A proposta do MJ mantem os três anos, mas obriga além deste, o registro de documentos do usuário e não se restringe aos provedores de acesso, obriga também este registro aos provedores de conteúdo. Uma proposta tão estúpida que parece ter sido baseada numa sátira que fizeram para o PL do Azeredo.

Sérgio Amadeu já explicou as razões pela qual o projeto do Azeredo e este maldito substitutivo devem ser esquecidos, e ainda endossou nas palavras de Jomar Silva porque o projeto é inócuo. A verdade é que a proposta do MJ tem grande influência da Policia Federal e da ABIN, para implantação de um estado vigilantista, nos mesmo moldes da época da ditadura, só que potencializado pela tecnologia.

Você deve estar se perguntando o que este risonho bode tem haver com o post, tudo, este bode por incrível que pareça sintetiza o texto, digamos que deu bode no Congresso.

Fazendo uma análise de estratégias, vemos que a proposta do MJ configurou o que é conhecido como triangulação ou efeito decoy, que é algo mais ou menos assim:

“Temos duas variedades de vinho para vender no jantar, um de 9 dolares e outro de 16. Qual você compraria?

Agora, imagine que existe um terceito, e o terceiro custa 34 dolares. Você ficou tentado à comprar a garrafa de 16 dolares agora? A maioria ficaria.”

Shankar Vedantam que escreveu um artigo sobre efeito decoy nas eleições, cita um estudo do Joel Huber, professor de Marketing da Duke Universtity que conclui que a mente humana sempre busca pelas respostas mais simples e usualmente não trabalha com decisões complexas no dia-a-dia. Curioso, mas o efeito decoy ou efeito da dominação assimétrica, se resume no fato de institiva e irracionalmente decidirmos pelo caminho do meio, dentro da lógica que chamamos de relação custo x benefício.

Voltando ao nosso caso, o bode no congresso é a proposta do Ministério da justiça, antes só existiam duas opções, a de não aprovarem ou aprovarem o projeto do Azeredo. Agora aparece o projeto do Ministério da Justiça, o bode, fechando a triangulação. Os efeitos são claramente visíveis, Azeredo e os defensores do projeto se posicionam contra o projeto do MJ, passando a percepção de que “mudaram de time”, o que de certa forma provoca uma sublimação no discurso dos críticos ao projeto de cibercrimes, reduzindo a pressão contra a sua aprovação. Dentro das sutilezas da mente humana, me preocupa muito que paulatinamente as pessoas acabem aceitando o PL do Azeredo como uma alternativa viável, ou “menos pior”, por terem sido vítimas do efeito da dominação assimétrica.

Por fim, nada melhor do que uma boa reflexão no dia em que se completam 45 anos do golpe militar de 1964, afinal o que houve naquela época não difere muito do que temos hoje, um jogo de percepções, dominação, “boas intenções”, implantação do estado policial, vigilantismo e repressão irracional. O golpe de 64 é para ser lembrado como o período da maior vergonha nacional, o período em que o Brasil em 20 anos retrocedeu 50 em termos socio-culturais, e que deixou cicatrizes que até hoje assombram os Brasileiros de bem.

Crédito da Foto: Philip MacKenzie – Stock.Xchng – Smilling Goat

Postado originalmente no Trezentos

Janeiro 15, 2009

Agora é comprovado: pedofilia não passa de uma cortina de fumaça

Ontem, o New York Times trouxe uma reportagem sobre a Internet Safety Technical Task Force (ISTTF) do Centro Berkman para Internet e Sociedade da Universidade Harvard. A dita força-tarefa foi criada por 49 procuradores-gerais de justiça americanos para investigar os casos de abusos sexuais contra crianças e adolescentes na Internet. Eis que o relatório final mostra que o assédio sexual a menores na Internet não é um problema significativo e que os menores são alvos pouco prováveis para serem assediados e, quando o são, são menores que se colocam nesta situação e que já vivem em situação de risco (menores com depressão ou vivendo em lares instáveis).

O relatório tamém demole com mitos como o qual que diz que uma entre 5 a 7 crianças e adolescentes já foram assediadas na Internet por adultos pedófilos; na maioria dos casos, os propositores também são menores. O relatório também demonstra que a exposição de dados pessoais nas redes de relacionamento (o alvo da força-tarefa) não aumenta o risco de abordagem por pedófilos. Como disse John Cardillo, presidente da Sentinel Tech Holding (que mantém um banco de dados de pedófilos condenados):

Social networks are very much like real-world communities that are comprised mostly of good people who are there for the right reasons
Redes socias são muito parecidas com as comunidades da vida real, que são, na sua maioria, compostas de pessoas boas que estão ali por boas razões

O relatório afirma ainda que os sistemas disponíveis para verificação de idade e identidade não funcionam, assim como não oferecem ajuda substancial na proteção de menores na Internet.

Bom, adorei o fato da força-tarefa ter sido criada pela pressão dos procuradores-gerais, em especial do Procurador-Geral de Connecticut, Richard Blumenthal (alguém citou os infames TACs?). Blumenthal acusou as redes de relacionamento social de facilitarem a atividade de pedófilos, discurso muito parecido com o do senador Magno Malta (PR-ES). E como se diz na terra natal de George W. Bush (como eu já estou saudades do Bush), o lugar mais perigoso para se estar em Connecticut é entre Blumenthal e uma câmera de TV. E pronto, temos uma histeria de pedofilia em curso, bastando apenas um acesso à mídia e dados duvidosos. Pois falando em dados duvidosos, acompanha a minha contabilidade (copyright Magno Malta):

  1. Em 5 de novembro de 2008 sai uma notícia com o título “CPI recebe dados sobre álbuns do Orkut suspeitos de pedofilia“, falando de 18.500 álbuns fechados suspeitos de pedofilia;
  2. No dia seguinte, 6, a manchete é auto-explicativa: “Magno Malta quer identificar 7 mil pedófilos que agem no Orkut“, de um dia para outro, uma queda de 62,16% no número de suspeitos e
  3. No fim do mês, dia 26, a manchete é “PF identificou 117 pedófilos com base em perfis do Orkut“. Do dia 6 para o dia 26, o número de suspeitos cai 98,32% e do dia 5 para o dia 26, caiu 99,36%.

E daí que haja uma condenação, blablablá, o número cairá ainda mais e se compararmos com as dezenas de milhões de usuários do Orkut, como o Caribé já fez, os números tornam-se totalmente desprezíveis.

Eu sempre desconfiei desta história de onda de pedofilia para atochar umas leis que mais parecem terem saídos da cabeça totalmente depravada de Mao Tse-Tung. Agora, há a prova científica contra Magno Maltas, Azeredos e Blumenthals da vida.

P.S.: O relatório, até o momento desta postagem, só foi citado em míseros três portais de notícias, nenhum deles relevantes; dois portais brasileiros e um português.

Janeiro 10, 2009

Para que crackers se temos o Governo?

Arquivado em: Censura, Ministério Público Federal (SP), Ponto de vista, hacker, web_censurada_nao — João Carlos Caribé @ 12:48 am
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Carlos Cardoso como sempre prestando um grande serviço à sociedade, primeiro ele descobriu o mensalinho em formato de banner, o famoso banner do Senado no site Paraiba, pelo qual o Senado pagava a bagatela mensal de R$ 48 mil. Assim que o fato ganhou relevância e como sempre demorou um pouco a chegar à midia, o “Ministerio da Verdade”(1) entrou em ação e ocultou a verdade, mudando os dados do contrato para R$ 48 mil por ano.

Agora ele descobriu que se o Governo for combater os cibercrimes com eficiência irá prender à si próprio, por exemplo pode-se encontrar facilmente o CPF do Boni, o José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, no site da Anatel. O CPF não é um dado sigiloso, mas se aparecer alguem vendendo uma lista com nomes, CPFs e Identidades de personalidades abastadas de nossa sociedade, a midia com certeza ira anuncia histericamente que hackers, é eles chamam crackers de hackers, invadiram os bancos de dados e obtiveram as informações sigilosas, e mais uma vez a Internet é demonizada.

Tal prática não é novidade, o Estado como um todo vem comentendo este crime contra a privacidade, por exemplo você pode saber os dados dos principais executivos da UOL, AOL, Click21, Terra e IG no site do Ministério Público de São Paulo, e pode procurar por ai que você vai achar um monte de dados, junte tudo, você um cidadão de bem, terá montado um banco de dados.

Ao que parece o proprio Estado demonstra o tempo todo que nada entende de internet, tanto que ele próprio comete estes deslizes, e ai pergunto: Como pode o Estado querer legislar sobre o que não conheçe? Com base no seu entendimento ignorante do que é Internet, através de uma percepção midiaticamente distorcida?

1 – Ministério da verdade, na distopia 1984 de George Orwell existia o Ministério da Verdade que cuidava de mudar o passado e o presente de todas as informações que os cidadãos poderiam ter acesso. Com isto negava e criava fatos, e até mesmo conseguiam fazer com que pessoas nunca tivessem existido.

Dezembro 18, 2008

Presidente da CPI da Pe(i)dofilia dá novamente prazos!

O senador Magno Malta (PR-ES), presidente da CPI da Pe(i)dofilia, mandará intimar as empresas de telefonia e Internet que não compareceram ontem a  dita comissão para assinar um Termo de “Cooperação” para o “combate” a pedofilia. De acordo com O Estado de S. Paulo, Telefônica, Vivo, Claro, Terra, MySpace, Abranet, Abrafix, iG, NET e UOL serão intimadas para prestar “esclarecimentos” à CPI em janeiro devido a recusa de assinar o tal Termo de “Cooperação”. De acordo com a reportagem, estes são os termos do Termo:

O termo de cooperação prevê que teles e provedores criem ferramentas para armazenar por três anos dados de clientes. Com autorização judicial para quebra de sigilo, as empresas têm de entregar à PF, MPF ou CPI informações de suspeitos de pedofilia em até duas horas, caso haja ameaça iminente à vida da criança ou adolescente; em 24 horas, se houver ameaça à vida; e, em três dias, se o menor estiver exposto à pedofilia sem risco de morte. O descumprimento implica multa diária de R$ 5 mil a R$ 25 mil.

O Termo impõe condições de espaço de tempo que não necessariamente possam ser cumpridas, aja visto que num determinado ponto só haja um conjunto de informações e que para o sucesso da empreitada (supondo boa-fé das autoridades policiais), poderá ser necessário acesso a outros bancos de dados e por aí iria.

Depois, temos a simplesmente brilhante delegada Juliana Cavaleiro. A sra. Cavaleiro tem uma curiosa teoria da conspiração: haveria uma “campanha velada” contra o Termo pois as empresas o considerariam uma “imposição”; de acordo com Cavaleiro, intimar alguém para prestar “esclarecimentos” sobre um acordo de cooperação (a palavra cooperação sugere qualquer coisa menos obrigaçã0) seria apenas um delírio irracional de algumas operadoras de telefonia e provedores de Internet. Cavaleiro, nada contra teorias da conspiração, mas elas devem ter um mínimo de verossimilhança com a realidade. Pelo amor de Deus, até mesmo a vagabundíssima teoria que Bush invadiu oIraque pelo seu petróleo é mais plausível do que isso.

Logo após sua peculiar teoria da conspiração, Cavaleiro solta esta:

Estamos diante de dois direitos fundamentais: a competitividade das empresas e a vida. Priorizamos a vida

Por favor, o caso em questão é pedofilia e não necrofilia. Verdade seja dita, se casos de abusos de menores são mais raros do que se supõe, tão mais raro será ameaças de morte. Até, como eu disse, o objeto de interesse tem que estar vivo e compreender a ameaça de morte, e teria que haver transmissão em tempo real do feito e pelos relatos da CPI, a maioria dos casos é de fotos. Então, o caso de priorização da vida nada mais é um embuste para que se tenha acesso a dados pessoais.

A questão não é a pedofilia em si mas o que está sendo proposto por trás dos bastidores (alguém aí viu a cópia do Termo de “Cooperação”?). O que eles querem é controlar o livre fluxo de informação uma vez que nas suas cabecinhas autoritárias, a interação livre e espontânea de informações entre pessoas é algo que contradiz frontalmente seus ideais totalitários à Cuba ou à China. E não te enganas, se pedofilia não chamasse tanto atenção, eles certamente pegariam outro tema como testa-de-ferro para suas idéias chavistas.

P.S.: Senhora Cavaleiro, já que tu priorizas tanto a vida, que tal sair dos confortáveis salões do Congresso Nacional e ir atrás de cafetões e cafetinas de menores em beiras de estradas?

Dezembro 14, 2008

Em país que tem internet ninguém é corrupto

Em casa que tem cachorro e criança ninguém peida.

Este é um velho e debochado ditado, que em outras palavras diz que onde existe criança e cachorro, eles sempre serão culpados ou culpabilizados por qualquer mal feito, não precisa procurar, apurar ou pensar… foram eles !!

Parece que agora a Internet fez mais um grande feito para a sociedade, acabou com a corrupção!

Ao menos é o que nos faz entender o discurso inconsistente da mídia, um jornalismo tendencioso e cada vez mais preguiçoso. Sabe-se que hoje em dia os fatos são poucos apurados, parecem cada vez mais raros os repórteres investigativos, a mídia em geral parece não apurar mais nada, simplesmente replica releases enviados dos mais diversos orgãos e empresas, ou republicam noticias produzidas por agências de noticias. Isto quando não são tendenciosas por diversas motivações.

Se levarmos ao pé da letra o discurso midiatico, podemos concluir que a Internet acabou com a corrupção, ao menos pelo que apurei, veja bem:

Através de um post na comunidade Ciberativismo, tomei consciência do fato, fui apurar a noticia no site do Greenpeace, que apesar de ser uma ONG importante, não a considero confiável, mas dai a dizer que eles estão mentindo ou omitindo algo é outra coisa, até porquê precisaria apurar a origem da noticia. A questão em si não é com o Greenpeace, e sim com a mídia que rapidamente replicou a noticia, afinal tem Internet no meio, então a culpa é da Internet. Vamos avaliar a noticia:

[..]Hoje, o Ministério Público do Pará divulgou detalhes de como hackers contratados por 107 madeireiras e carvoarias invadiram o sistema de controle de transporte de madeira e são acusados de falsificaram os registros online para aumentar a quantidade permitida para comercialização.[..]

Não teria sido algum corrupto do proprio orgão que teria falsificado os registros?  Observou bem o nome de quem divulgou: Ministério Publico do Pará, logo um Ministério Público que anda com a moral e credibilidade baixa perante os defensores da liberdade. Eu não confio nas “boas” intenções dos MPs, você confia?

[..]O Estado do Pará é conhecido nacionalmente por abrigar quadrilhas de hackers, especializadas em fraudar o sistema bancário. [..]

Sabia disto? Eu não? Porque o estado do Pará tem esta fama? Nem mesmo quem mora lá sabia disto! Ja estão mostrando as intenções do artigo.. É mais um para criação do mito midiatico…

[..]Aproximadamente 1,7 milhão de metros cúbicos de madeira ilegal foram “esquentados” pelo esquema, o suficiente para encher 680 piscinas olímpicas. As multas aplicadas pelo Ministério Público superam os R$ 2 bilhões. [..]

Números exagerados são mais uma estratégia de “demonização da web”, há quem diga até mesmo que os prejuizos provocados pelos cibercrimes superarão a crise econômica mundial, cômico para não dizer trágico.

Como a internet acabou com a corrupção?

Pesquisando um pouco mais sobre a noticia do Greeanpeace, me deparei com esta notícia publicada pelo Ministério Público do Pará em julho do ano passado:

Ouro Verde II mostra que esquema de corrupção sobrevive a mudanças no controle florestal

[..]Operação Ouro Verde I, em 2005, desbaratou quadrilha que fraudava ATPFs. Dois anos depois, com novo sistema, madeireiros e fiscais corruptos são descobertos fraudando DOF.[..]

[..]Esquema – Madeireiros, fiscais corruptos e hackers faziam parte do esquema, que consistia na inserção indevida de “créditos” florestais no sistema que permite a impressão de DOF’s. Com isso, em apenas uma das fraudes detectadas, uma empresa emitiu, em 5 dias, 18.792 DOF’s, o suficiente para vender 600 mil metros cúbicos de madeira.[..]

Como pode-se ver as duas noticias tratam do mesmo assunto, só que na noticia recente, ou seja, na noticia “requentada” os fiscais corruptos simplesmente desapareceram, será que a Internet acabou com a corrupção?

Alias ficam mais algumas dúvidas:

Mesmo tendo a PF desbaratado o esquema no ano passado, a quadrilha continua atuando, inclusive, segundo os números divulgados, mantendo o mesmo ritimo de desmatamento. Como se explica isto?

Provavelmente algum fiscal corrupto e demais funcionários corruptos, abrem a brecha para os crackers (e não hackers) invadam o sistema, até mesmo de dentro da repartição. Me explique como estes fiscais corruptos desapareceram?

Por fim, por que razão a midia anda “requentando” noticias sobre cibercrimes? Esta semana mesmo identifiquei com esta, quatro noticias requentadas. Será que vem chubmo grosso por ai, ou é mais uma estratégia para facilitar a aprovação da mais nova aberração juridica que fere os direitos democrático da sociedade Brasileira?

Novembro 23, 2008

Ministério Público quer implantar o estado vigilantista

Soube desta informação há pouco, o Ministério Público quer implantar um estado vigilantista, fazendo valer na forma de acordo o registro obrigatório do log por três anos, termo do tão criticado artigo 22 do PLC 84/99 o projeto de cibercrimes. Ou seja, na iminência de ser vetado na Câmara, o ministério público quer implantar o “grampo eletrônico” em todos os internautas Brasileiros, ou para quem ainda não entendeu. Querem impor ferramentas para calar nossas bocas.

A noticia me chegou da seguinte forma:

NEM a lei “do” Azeredo dos Cibercrimes foi ainda votado na Câmara, muito menos sancionada pelo presidente Lula e o Ministério Público (SEMPRE ELE!) quer se bancar de legislador agora (alguém aqui votou em algum promotor para o cargo de senador ou deputado federal nas últimas votações e não estou sabendo ? tsc tsc…) e se anteceder e garantir suas posições (vai que a votação do Azeredo os deputados estejam cientes de seu papel de RESPONSABILIDADE SOCIAL e não votem naquele projeto fascista, inclusive no tocante do grampo “preventivo” em massa, de todo mundo dos logs no provedor, por 3 anos, sem autorização judicial prévia – um fascismo monstro que só pode ser comcebido por mentes ditadoras e anti-democráticas, que não prezam o estado de direito).

Pois hoje, 23/11/08, o Domingo Espetacular (Record) em mais uma das (centenas de milhares) matérias de pedofilia, disse, ao final da matéria que semana que vem o MP vai assinar um “termo de compromisso” com os provedores de internet, os obrigando a manter o log de todo mundo por 3 anos sem autorização judicial prévia.

AGORA, EM QUE o MP se baseia para fazer isso ? OBRIGAR os provedores a um GRAMPO EM MASSA, SEM MANDATO JUDICIAL PRÉVIO, DE TODO MUNDO POR 3 ANOS ? ISSO É UMA AFRONTA AO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO!!!!!

Alguém tem que denunciar estes procuradores e promotores do MP ao CNJ, por afrontar o estado de direito!!!!!!!!!!!!!!!

Quer dizer, NEM a lei “do” Azeredo foi votada ainda (Cibercrimes) (e como provavelmente eles prevêem que vão perder e os deputados não são malucos de votar neste embrólio – não pelo menos tb no tocante á este mega grampo fascista nazista ditatorial, em massa, sem mandato judicial, e por tanto tempo! – eles estão se antecendo á votação e metendo os pés pelas mãos, NA MARRA MESMO! No velho estilo do “nosso” MP!)

E SE a câmara não votar tais grampos por 3 anos, ou der prazo muito menor, ou então nem votar esse artigo ? O MP estará baseado EM QUE, com que autoridade (acima do legislativo) ele terá para IMPOR tal violação do estado de direito! O grampo então, de 3 anos SERIA TOTALMENTE ILEGAL, INCONSTITUCIONAL, e qq prova que deles se servirem para caçar bodes espiatórios (como TODOS NÓS SABEMOS é o intuítuo, usando o “boi de piranha” da “pedofilia virtual”) podem ser anuladas no supremo, uma vez que tal lei que define isso não foi (ainda) aprovada (e periga de não o ser como está lá – 3 anos), e que o Supremo entenda que 3 anos em massa de 30 milhões de pessoas equivale ao grampo de 30 milhões de telefones, sem ordem judicial nem nada, por 3 anos tb.

A censura e a ditadura civil estão entrando no Brasil pela porta da frente: via MP. Não se enganem.

Alguém tem que denunciar isso.

*** Seria esta uma tática de desespero da burguesia nacional e das mega corporações, que vendo que estão perdendo no tabuleiro (e que não passarão o grampo de 3 anos dos provedores por discussão no legislativo, através de lei formal), usarem o “tapetão” (Ministério Público) para passar este embrólio nazista na marra ? Seria o MP o outro artifício que eles estariam dispostas na manga caso falhe no legislativo ? Mas aí com que base o MP poderia fazer isso, constitucionalmente, ainda mais se tal propositura for discaradamente ponto vencido no congresso ? Eles estariam mais errados ainda. tais provas de nada serviriam, seriam provas ilegais, e quem se usasse dele deveria ser denunciado frente ao CNJ (Conselho nacional de Justiça) e as Associações Pan Americanas de Direitos Humanos, á Anistia Internacional.

Será que a ditadura está entrando no Brasil by MP ?

Será que este pessoal quer se posar de legislador e atropelar as funções normativas do congresso ? GENTE, o MP está se tornado algo DELIBERADAMENTE PERIGOSO! Alguém tem que denunciar isso!!!!!!!!!!!! QUEM deu “carta branca” para o MP ser legislador tb ? Qual o próximo passo ? quererem governar o Brasil ?

PS: Não se esqueçam que na decada de 60, por causa de um promotor os EUA virou um caos (período que se conhece hoje como “Macartismo”, ou “Caça ás bruxas”, atrás de comunistas nos EUA). Pessoas foram presas injustamente, injustamente condenadas, caçadas, marcadas e ng as dava emprego, pessoas se suicidaram. Isso por causa de um ÚNICO promotor (Macarter) e seus assessores no MP! OLHA O ESTRAGO QUE ELE FEZ!

A história nos demonstra que poder demais á uma pessoa ou grupo delas (seja aonde for, com o cargo e o pretexto que for, não importa) quem paga o pato é a sociedade! Portas abertas ao totalitarismo! Será que neste país não temos NENHUMA autoridade de olhos abertos aos demandos e exageros do MP e seus agentes ??? confia-se cegamente e pronto ?

Dado a urgência do fato, não houve tempo de apurar a veracidade da noticia, mas quem assistiu ao programa citado pode por favor endossar a noticia.

Vamos agir, URGENTE, vamos fazer barulho, vamos chamar a atenção da Imprensa.

UPDATE 24/11/08 – 07:48

Para comprovar que a denuncia é procedente, apesar de ainda não existir nenhum posicionamento público do Ministério Público sobre o noticiado neste domingo no referido programa de TV, encontrei em algumas pesquisas, fatos que envolvem diversos ministérios públicos “recomendando” o registro de logs de acesso aos principais provedores do país conforme links a seguir:

Em outras palavras, os Ministérios Públicos estão agindo inconstitucionalmente e impondo o controle dos logs independente da aprovação ou não do famigerado PL 84/99 de cibercrimes

UPDATE 24/11/08 – 10:11

Quem faz a afirmação é a promotora Ana Lucia Melo, que fala que na proxima quinta (27/11) sera assinado o acordo com os provedores. O curioso é que no video o caso citado não tem nenhuma relação com a Internet, que foi “inserida” na reportagem para criar o “mito midiatico” que associa a Internet com pedofilia.

Novembro 15, 2008

Vigilantismo e razões econômicas

Arquivado em: Censura, Internacional, Ponto de vista — Fátima Conti @ 8:58 pm
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Não ao vigilantismo!

O cerceamento à liberdade

A restrição às liberdades na internet; incluindo a tentativa de controle ao seu acesso, a censura ao que pode ser visto e publicado e  a violação de privacidade é um fato que  costuma ser associado a países com regimes ditatoriais, como Iraque, Arábia Saudita ou China.

Entretanto, em diversos países do mundo há, atualmente, ações governamentais e empresariais contra alguma possível liberdade  que a Internet facilita ou permite, inclusive em países onde a liberdade sempre foi um referencial.

No Brasil já foi aprovado pelo Senado o Projeto de Lei 84/99 cujo aspecto mais inadmissível  do ponto de vista da liberdade de escolha do cidadão, é o condicionamento do acesso à internet a um credenciamento  obrigatório, sujeitando quem contrariar essa determinação à um certo tipo de pena.

Para quem tem algum conhecimento sobre Informática é evidente que há modos de contornar a restrição ao acesso, o que torna o cadastro prévio, algo absurdo e burocrático, além de inócuo, já que quem pratica ilícitos na rede vai continuar praticando, conectando-se à rede por meio de empresas estrangeiras e utilizando telefones clonados. E, ainda, temos que considerar que a todo momento surgem novos recursos de software e de hardware que possibilitam o anonimato.

Intenções reais

Então, por que alguém com um pequeno conhecimento da área, pode defender esse tipo de  procedimento?

Há uma grande gama de cibercrimes: manipulação de caixas eletrônicos, pirataria de programas ou demais obras, plágios, com ofensa a direitos autorais, passando por abusos nos sistemas de telecomunicação, como envio de e-mails com conteúdo ameaçador, publicação de imagens de conteúdo ilegal, ofensivas à moral ou de pedofilia.

Assim, uma argumentação que costuma estar presente nesse tipo de atitude é o combate ao terrorismo, à pirataria, à pedofilia, e para proteger direitos autorais de seus legais proprietários.

No entanto, aparentemente o projeto não tem essas intenções, especialmente por que a lei anti-pedofilia, grandemente responsável pela sua aprovação no Senado,  já foi aprovada no início da semana.

Quais seriam, então, as intenções do projeto?

É importante notar que a ordem de fatores citada abaixo segue uma lógica meramente organizacional e não de importância.

  • 1. Atender o ACTA

Medidas internacionais que a Associação da Indústria Discográfica Norte-americana (RIAA), a Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI), a Motion Picture Association of America (MPAA), a entidade que defende os interesses dos maiores estúdios produtores de filmes dos EUA foram propostas recentemente ao G8 (grupo do países mais desenvolvidos e Rússia) e que se traduziram em um acordo, o ACTA – “Anti-Counterfeiting Trade Agreement” – que pode ser traduzido como Acordo de Comércio Anti-Pirataria.

Curioso é notar que não é um tratado e, sim, um acordo. Mas talvez seja fácil entender o porquê. Desse modo sua tramitação não precisa ocorrer no congresso dos EUA. E, assim, a opinião da sociedade civil pode não ser considerada.

Esse acordo, se for efetivamente cumprido, promoverá a existência de um Estado policial digital que deverá obrigar todos os países a tomar severas medidas que tentarão restringir a utilização de formatos de arquivos, de equipamentos, ou de procedimentos que são normalmente efetuados por um enorme número de pessoas, em diversos países, restringindo a liberdade de seus cidadãos. Tais medidas podem incluir:

  1. Revistas para procura de aparelhos eletrônicos de comunicação ou armazenamento de dados como iPods, laptops, netbooks, pendrives, telefones celulares, além de CDs e DVDs. Os equipamentos  poderão ser confiscados e/ou destruídos por guardas de alfândegas na passagem por fronteiras internacionais, sem que tenham sequer de obter uma queixa de um detentor de direitos autorais. Se encontrado algum indício de violação desses direitos o portador será multado e o aparelho poderá ser confiscado ou destruído.
  2. Provedores de serviços de internet deverão cadastrar e manter por alguns anos, o registro dos usuários da rede e suas atividades, fornecer informações desses clientes  às autoridades, inclusive sem o devido mandato, ou aval da justiça,
  3. Criação de uma agência com o objetivo de fiscalizar e regulamentar as medidas a serem tomadas.

É importante notar que ainda há outras exigências que incluem até a permissão para que autoridades judiciais possam dar continuidade a processos sem identificar os processados.

  • 2. Atender aos Bancos

Os bancos são, possivelmente, o setor mais lesado por crimes cibernéticos, sobretudo por oferecerem serviços que não podem prestar com qualidade, por falta de segurança.

Apesar de terem auferido enormes lucros nos últimos anos, os bancos apresentam uma conta de prejuízos anuais que já ultrapassou RS 1 bilhão devida a crimes virtuais. E as tentativas de fraudes pela rede crescem a cada ano.

Aparentemente os bancos não mais querem assumir o custo da segurança do sistema financeiro numa internet que consiste basicamente de computadores com sistema operacional Windows, que possibilita muitos bugs e invasões e que está repleto de usuários ingênuos e/ou despreparados.

Assim, o Projeto de Lei 84/99 visa transferir tais custos de proteção para o Estado, em que Polícia Federal teria bases para um policiamento preventivo altamente sistematizado pela vigilância da Rede.

  • 3. Atender ao Fisco

Produtos falsos não pagam impostos, então, aparentemente a pirataria afeta bastante o Fisco brasileiro. Os segmentos mais severamente afetados são: distribuidoras de combustíveis, fabricantes legais de produtos de limpeza doméstica, produtores de software, indústria farmacêutica, manufatura de brinquedos, confecções e setor de cigarros.

Portanto há uma enorme sonegação de impostos. Calcula-se que somente com a falsificação nas áreas de roupas, tênis e brinquedos, o Fisco deixa de arrecadar mais de RS 10 bilhões anuais.

  • 4. Atender às distribuidoras de programas computacionais, livros, música e filmes

Os artigos 285-A e 285-B objetivam criminalizar o acesso a sistemas informatizados e dispositivos de comunicação sem a autorização do titular da rede, já que a pirataria digital lesa principalmente os interesses das empresas distribuidoras (tais como gravadoras e empresas cinematográficas) muito mais que os autores das obras.

Assim não se criminalizam os atos de pirataria (cópia em série para posterior venda). O projeto quer impedir a cópia única, e o seu compartilhamento, mesmo que não haja objetivos comerciais. Ou seja, até um consumidor que comprou  um produto, não poderá fazer uma cópia para backup ou para uso pessoal.  Por exemplo, não se poderia copiar um CD comprado para um tocador de música.

Interessante é notar que mesmo quando se trata de cópia de programas, músicas e filmes há enorme desconhecimento das diferentes realidades.

Basta considerar o próprio sistema operacional Windows. Será que há algum sistema mais copiado?  E, no entanto, os lucros da Microsoft são enormes. Aparentemente, a própria pirataria  age como a melhor propaganda nesse caso.

Obviamente são anunciados números alarmantes sobre o quanto o Brasil perde em impostos e empregos devido à alta proporção de programas piratas usados. Mas, os valores consideram uma flagrante inverdade: que cada indivíduo que copia um programa, compraria e instalaria aquele produto se não efetuasse a cópia. Nem sequer consideram quantas pessoas instalariam programas gratuitos e/ou livres, ou sequer comprariam computadores, se efetivamente precisassem avaliar os custos totais.

Um exemplo interessante envolvendo cópia de filmes ocorreu no Brasil. O Filme “Tropa de Elite” fez um enorme sucesso em 2007. Ao mesmo tempo, foi o filme brasileiro mais compartilhado em redes P2P.

Ainda há que se considerar que atualmente percebe-se nos EUA uma evolução positiva do faturamento dos estúdios de cinema, apesar da cópia de arquivos torrent ser cada vez maior.

Portanto, aparentemente, a pessoa que copia um arquivo não é necessariamente alguém que compraria aquele filme, livro ou música no varejo.

Algumas conseqüências da aprovação do Projeto

Na prática, parece que alguns dos objetivos são

  • Vigiar todas as atividades de todas as pessoas no uso da Internet, pelos provedores,
  • Interferir no uso justo de direitos autorais sobre obras culturais. A cópia única, sem objetivo comercial, que garante a educação pessoal seria inexequível, mesmo sendo permitida em outros países como os EUA,
  • Criminalizar a comunicação ponto a ponto que possibilita o compartilhamento de arquivos de grande tamanho, notadamente as obras culturais como os sistemas operacionais de computadores, livros, discos e filmes e
  • Minar o acesso aos medicamentos genéricos, de baixo custo.

Assim, após uma rápida análise é alarmante notar que o Projeto de Lei 84/99 não impede a ação de ciberterroristas, ou de pedófilos ou de ladrões, mas apenas

  • possibilita a violação de direitos civis básicos, instalando o vigilantismo na Internet,
  • eleva o custo Brasil de comunicação,
  • reduz as possibilidades da inclusão digital e
  • transfere para a sociedade os custos de segurança que devem ser custeados pelos bancos

Além disso pode afetar a pesquisa científica em todas as áreas, pois é baseada em referências bibliográficas.

Então, pode-se perguntar: Por que a sociedade brasileira deve aceitar tais restrições à sua liberdade e arcar com tantas despesas?

Aqui cabe lembrar que o projeto ainda não está aprovado, e que ainda se pode assinar a Petição pelo veto ao projeto sobre cibercrimes. Já há mais de 121.000 assinaturas.

Referências Bibliográficas

Almeida Camargo, S. C. A. – Cibercrime ameaça empresas públicas e privadas Publicado em 31/10/2006. Visualizado em 15/11/2008.
Atheniense, A. – Controle da internet não coibirá crime, mas privacidade Publicado em 16/09/2008. Acessado em 15/11/2008
Caribé, J. C. – A histeria vigilantista e novo vilão, o Twitter Publicado em 28/10/2008. Acessado em 15/11/2008.
Caribé, J. C. – Chamada para a blogagem politica II – Não ao vigilantismo Publicado em 12/11/2008. Acessado em 15/11/2008.
Conti, F. – Projeto de Lei 84/99 – Serve a quem? Publicado em 20/07/2008
Conti, F. – O silêncio sobre o ACTA Publicado em 22/09/2008
Foina, A. Pingue Pongue na Lei do Big Brother: Vigilância e Censura no PLC 89/2003 do Senador Azeredo Publicado em 20/07/2008. Visualizado em 15/11/2008
Pádua, D. – Audiência Pública do Projeto de Lei de Cibercrimes: Um relato rápido Acessado em 15/11/2008
Amadeu da Silveira, S. A. – Veja o que aconteceria com quem baixou o filme Tropa de Elite se o projeto do Azeredo fosse lei Publicado em 18/07/2008. Visualizado em 15/11/2008
Tavares, A. – Geeks politizados: o futuro da internet no Brasil Publicado em 16/09/2008. Acessado em 15/11/2008

Fátima Conti – fconti@uol.com.br – 15 de novembro de 2008

Hoje é dia da blogagem politica – Não ao vigilantismo

Arquivado em: Censura, Ponto de vista, web_censurada_nao — João Carlos Caribé @ 1:02 pm
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Hoje, 15 de novembro, é dia da Proclamação da República e dia da blogagem politica contra o vigilantismo. Sabe-se de que a chance do projeto contra a liberdade na internet, travestido de projeto contra os cibercrimes tem grande chance de ser votado esta semana. Se for votado a única chance dele não se tornar lei é através do veto Presidencial.

Esta semama foi agitada para os ciberativistas, na quinta (13/11) tivemos uma incrível audiência pública na Câmara, e pela primeira vez com a participação dos ciberativistas que são contra o projeto, você pode assistir à audiência no Google Video (4:40h), ou alguns artigos a respeito aqui, aqui e aqui.

No dia seguinte tivemos um Flashmob em São Paulo, com diversas personalidades da blogosfera e a ciberesfera Brasileiras, todos ciberativistas como Lúcia Freitas, Sérgio Amadeu, Edney, Fugita, Markun e muitos outros. Já existem posts e videos que podem ser vistos aqui, aqui e aqui. Sem contar que houve cobertura da Folha de São Paulo e do G1.

Hoje é mais um dia de fazer história, estamos fazendo história acredite. Hoje é o dia da Blogagem politica, a hora de mostrarmos nosso repudio ao projeto de controle da Internet, hora de mostrarmos nosso repudio ao vigilantismo, hora de expressarmos nossa cidadânia e falarmos a respeito do que deve e não deve ser feito para que tenhamos um Brasil melhor.

Por estas e por outras que várias pessoas já fizeram seus posts, que serão listados aqui em atualizações periódicas, se seu post não consta na lista, deixe um comentário com o link que o colocaremos, o que importa é participar.

Quem já aderiu à blogagem politica coletiva II

  1. Mundo véio – Vai vigiar a casa do caralho! Acorda povo!
  2. Na rua – blogagem política, flashmob, censura e Azeredo
  3. Martelada – vecemos batalhas, a guerra contra a lei azeredo segue
  4. Peão Digital – Não ao vigilantismo
  5. Rio de Tudo um Pouco – Blogagem Coletiva
  6. Dirceu Santa Rosa – Dia da blogagem politica II
  7. Blog do Regelio Casado – Chamada para a blogagem politica II – Não ao vigilantismo
  8. Futepoca – Ministério da Cultura critica projeto que instala a vigilância na Internet
  9. Image Survey – Leis para a internet? Blogagem politica II
  10. Recortes Virtuais – Blogagem coletiva
  11. BlogueIsso! – Não ao Vigilantismo: mínima história dos regimes de exceção no Século XX
  12. Blog do Sérgio Amadeu – UM RELATO DA FLASHMOB PELA LIBERDADE NA INTERNET CONTRA O SUBSTITUTIVO DO SENADOR AZEREDO
  13. Blog do João Sérgio – Blogagem Política II- Contra o vigilantismo
  14. O Primo – PL 84/99 – O fim da internet brasileira pode estar próximo
  15. Do Tira gosto ao prato principal (imagem)
  16. Degeneração Fresca – Blogagem contra a censura
  17. Jornalismo & Internet  Blog do GJOL -  Blogagem Política Coletiva II – ciberativistas contra o vigilantismo
  18. Blog do Sérgio Amadeu – Hoje, Blogagem politica pela liberdade na rede
  19. O Terror do Nordeste – Xô Censura!
  20. Clube dos Internautas – Internautas fazem ‘flashmob’ na Avenida Paulista contra lei de internet
  21. Netnografando – A Internet sopro de vida – Blogagem política
  22. Sistemas para o Ciberjornalismo – Blogagem Política – A livre troca é a base de qualquer avanço. Não à lei Azeredo
  23. Comunicação Política e Governamental – República sem censura
  24. Marcelo Matos – A cybercultura e a censura: abram os olhos, a PL n. 84/99 está aí!
  25. Blog de Ecologia Urbana – Hoje, Blogagem Política pela Liberdade na Rede
  26. Entropia! – Reescrevendo a história da democracia Brasileira
  27. A vida é uma caixinha de surpresas – A união faz a força
  28. Liberdade de Expressão – 2a blogagem coletiva Não ao vigilantismo
  29. Xô Censura – por Fá Conti – Vigilantismo e razões econômicas
  30. Fudge – Off-Topic – Blogagem Coletiva – Não ao Projeto de Lei de Censura à Internet
  31. Ana Reczek – Flash Mob na Paulista pela liberdade de expressão na internet
  32. Não sou um número – Dia da blogagem coletiva
  33. Consciência Acadêmica – EDIÇÃO EXTRA DE 15/11/2008
  34. Cybersociedade – Texto excelente sobre o projeto de lei do Senador Azeredo
  35. Linux… e mais coisas -  Blogagem Coletiva – Não ao Projeto de Lei de Censura à Internet
  36. Carnet de notes – André Lemos – Projeto Cibercrimes e Blogagem Nacional
  37. Mediação, mobilidade e governabilidade – Henrique Antoun – Azeredo e os cartórios digitais
  38. Copiar & colar – Blogagem Coletiva – 15 de Novembro
  39. Desabafo Brasil – Xô Censura! Manifestação inteligente
  40. Gogoni’s Alley – Blogagem coletiva – diga não ao vigilantismo
  41. Pensar enlouquece – Diga não ao projeto do senador Azeredo de censura à internet
  42. Alexandre Sena – Podcast 77 – Projeto de lei sobre cybercrimes
  43. Mario Amaya (diversos icones e cartazes bem interessantes)

Posts no dia 16/11/08

Antes tarde do que nunca, é melhor falar do que ficar calado.

  1. Ladybug Brasil – Blogagem Política II: reclame e avise “não passará”
  2. Aline Reinhardt – Do dia da blogagem política 2
  3. Global Voices – Brazil: Flash mob protest against Digital Crimes Bill
  4. Global Voices – Brasil: Protesto relâmpago contra a Lei Azeredo
  5. Nas horas e horas e meias – Diga não ao projeto do senador Azeredo de censura à internet
  6. Laudas Críticas – Muito barulho e pouca informação contra a ‘Lei Azeredo’
  7. ius communicatio – Ainda o projeto de cibercrimes
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