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Arquivo da tag: Magno Malta

Agora é comprovado: pedofilia não passa de uma cortina de fumaça

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Ontem, o New York Times trouxe uma reportagem sobre a Internet Safety Technical Task Force (ISTTF) do Centro Berkman para Internet e Sociedade da Universidade Harvard. A dita força-tarefa foi criada por 49 procuradores-gerais de justiça americanos para investigar os casos de abusos sexuais contra crianças e adolescentes na Internet. Eis que o relatório final mostra que o assédio sexual a menores na Internet não é um problema significativo e que os menores são alvos pouco prováveis para serem assediados e, quando o são, são menores que se colocam nesta situação e que já vivem em situação de risco (menores com depressão ou vivendo em lares instáveis).

O relatório tamém demole com mitos como o qual que diz que uma entre 5 a 7 crianças e adolescentes já foram assediadas na Internet por adultos pedófilos; na maioria dos casos, os propositores também são menores. O relatório também demonstra que a exposição de dados pessoais nas redes de relacionamento (o alvo da força-tarefa) não aumenta o risco de abordagem por pedófilos. Como disse John Cardillo, presidente da Sentinel Tech Holding (que mantém um banco de dados de pedófilos condenados):

Social networks are very much like real-world communities that are comprised mostly of good people who are there for the right reasons
Redes socias são muito parecidas com as comunidades da vida real, que são, na sua maioria, compostas de pessoas boas que estão ali por boas razões

O relatório afirma ainda que os sistemas disponíveis para verificação de idade e identidade não funcionam, assim como não oferecem ajuda substancial na proteção de menores na Internet.

Bom, adorei o fato da força-tarefa ter sido criada pela pressão dos procuradores-gerais, em especial do Procurador-Geral de Connecticut, Richard Blumenthal (alguém citou os infames TACs?). Blumenthal acusou as redes de relacionamento social de facilitarem a atividade de pedófilos, discurso muito parecido com o do senador Magno Malta (PR-ES). E como se diz na terra natal de George W. Bush (como eu já estou saudades do Bush), o lugar mais perigoso para se estar em Connecticut é entre Blumenthal e uma câmera de TV. E pronto, temos uma histeria de pedofilia em curso, bastando apenas um acesso à mídia e dados duvidosos. Pois falando em dados duvidosos, acompanha a minha contabilidade (copyright Magno Malta):

  1. Em 5 de novembro de 2008 sai uma notícia com o título “CPI recebe dados sobre álbuns do Orkut suspeitos de pedofilia“, falando de 18.500 álbuns fechados suspeitos de pedofilia;
  2. No dia seguinte, 6, a manchete é auto-explicativa: “Magno Malta quer identificar 7 mil pedófilos que agem no Orkut“, de um dia para outro, uma queda de 62,16% no número de suspeitos e
  3. No fim do mês, dia 26, a manchete é “PF identificou 117 pedófilos com base em perfis do Orkut“. Do dia 6 para o dia 26, o número de suspeitos cai 98,32% e do dia 5 para o dia 26, caiu 99,36%.

E daí que haja uma condenação, blablablá, o número cairá ainda mais e se compararmos com as dezenas de milhões de usuários do Orkut, como o Caribé já fez, os números tornam-se totalmente desprezíveis.

Eu sempre desconfiei desta história de onda de pedofilia para atochar umas leis que mais parecem terem saídos da cabeça totalmente depravada de Mao Tse-Tung. Agora, há a prova científica contra Magno Maltas, Azeredos e Blumenthals da vida.

P.S.: O relatório, até o momento desta postagem, só foi citado em míseros três portais de notícias, nenhum deles relevantes; dois portais brasileiros e um português.

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Presidente da CPI da Pe(i)dofilia dá novamente prazos!

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O senador Magno Malta (PR-ES), presidente da CPI da Pe(i)dofilia, mandará intimar as empresas de telefonia e Internet que não compareceram ontem a  dita comissão para assinar um Termo de “Cooperação” para o “combate” a pedofilia. De acordo com O Estado de S. Paulo, Telefônica, Vivo, Claro, Terra, MySpace, Abranet, Abrafix, iG, NET e UOL serão intimadas para prestar “esclarecimentos” à CPI em janeiro devido a recusa de assinar o tal Termo de “Cooperação”. De acordo com a reportagem, estes são os termos do Termo:

O termo de cooperação prevê que teles e provedores criem ferramentas para armazenar por três anos dados de clientes. Com autorização judicial para quebra de sigilo, as empresas têm de entregar à PF, MPF ou CPI informações de suspeitos de pedofilia em até duas horas, caso haja ameaça iminente à vida da criança ou adolescente; em 24 horas, se houver ameaça à vida; e, em três dias, se o menor estiver exposto à pedofilia sem risco de morte. O descumprimento implica multa diária de R$ 5 mil a R$ 25 mil.

O Termo impõe condições de espaço de tempo que não necessariamente possam ser cumpridas, aja visto que num determinado ponto só haja um conjunto de informações e que para o sucesso da empreitada (supondo boa-fé das autoridades policiais), poderá ser necessário acesso a outros bancos de dados e por aí iria.

Depois, temos a simplesmente brilhante delegada Juliana Cavaleiro. A sra. Cavaleiro tem uma curiosa teoria da conspiração: haveria uma “campanha velada” contra o Termo pois as empresas o considerariam uma “imposição”; de acordo com Cavaleiro, intimar alguém para prestar “esclarecimentos” sobre um acordo de cooperação (a palavra cooperação sugere qualquer coisa menos obrigaçã0) seria apenas um delírio irracional de algumas operadoras de telefonia e provedores de Internet. Cavaleiro, nada contra teorias da conspiração, mas elas devem ter um mínimo de verossimilhança com a realidade. Pelo amor de Deus, até mesmo a vagabundíssima teoria que Bush invadiu oIraque pelo seu petróleo é mais plausível do que isso.

Logo após sua peculiar teoria da conspiração, Cavaleiro solta esta:

Estamos diante de dois direitos fundamentais: a competitividade das empresas e a vida. Priorizamos a vida

Por favor, o caso em questão é pedofilia e não necrofilia. Verdade seja dita, se casos de abusos de menores são mais raros do que se supõe, tão mais raro será ameaças de morte. Até, como eu disse, o objeto de interesse tem que estar vivo e compreender a ameaça de morte, e teria que haver transmissão em tempo real do feito e pelos relatos da CPI, a maioria dos casos é de fotos. Então, o caso de priorização da vida nada mais é um embuste para que se tenha acesso a dados pessoais.

A questão não é a pedofilia em si mas o que está sendo proposto por trás dos bastidores (alguém aí viu a cópia do Termo de “Cooperação”?). O que eles querem é controlar o livre fluxo de informação uma vez que nas suas cabecinhas autoritárias, a interação livre e espontânea de informações entre pessoas é algo que contradiz frontalmente seus ideais totalitários à Cuba ou à China. E não te enganas, se pedofilia não chamasse tanto atenção, eles certamente pegariam outro tema como testa-de-ferro para suas idéias chavistas.

P.S.: Senhora Cavaleiro, já que tu priorizas tanto a vida, que tal sair dos confortáveis salões do Congresso Nacional e ir atrás de cafetões e cafetinas de menores em beiras de estradas?