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Arquivo do mês: outubro 2009

O Velho Chico e a Nau Oposição

A visita de 3 dias do Presidente Lula às obras de transposição do rio São Francisco no Nordeste renderam críticas fervorosas da oposição que foram plenamente reproduzidas por instrumentos midiáticos afins. As baterias foram direcionadas a dois pontos principais: 1- a presença da ministra Dilma Roussef na comitiva que visitou o canteiro de obras; 2- um aparente fracasso na execução das obras de transposição.

Sob afirmações de que a obra seria uma “transposição de votos no Nordeste” e que o ato da visita seria em si tipicamente eleitoreiro, a oposição abre um novo episódio em sua cruzada na tentativa de inviabilizar, o quanto antes, a candidatura de Dilma. Entretanto a tática visa única e exclusivamente sobrepujar a grandeza do empreendimento que procura levar água para 391 municípios dos estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, atendendo aproximadamente 12 milhões de pessoas. Segundo o Ministério da Integração Nacional atualmente cerca de 8.500 pessoas estão empregadas diretamente no desenvolvimento da obra que prevê a construção de mais de 713 km de canais, somando um investimento, para o ano de 2009, correspondente a 1,39 bilhão de reais.

A transposição do Velho Chico tem sido criticada por, aparentemente, não solucionar o problema de distribuição dos recursos hídricos para as populações ribeirinhas. Porém o que se desconhece (ou não se quer dizer) é que a obra, cuja finalização está prevista para 2025, garantirá a instalação de empreendimentos do agronegócio nas regiões beneficiadas, contribuindo para a fixação do homem no campo, a geração de emprego e com a evolução do desenvolvimento econômico e social do Nordeste. Além disso, a transposição do rio São Francisco não é o único programa de valorização e acessibilidade aos recursos hídricos promovido pelo Governo Federal: entre janeiro de 2003 e julho deste ano foram investidos 1,29 bilhão de reais (dados do Tesouro Nacional) em obras de irrigação, além da construção de 197 mil cisternas.

A obra sofreu inicialmente com problemas junto aos órgãos ambientais e ações judiciais de desapropriação. Mais recentemente o TCU tem dificultado a liberação das ordens de pagamento, sendo inclusive alvo de críticas do próprio Lula. As obras não crescem no ritmo esperado pelo governo, mas segundo o Ministério da Integração Nacional os eixos norte e leste já avançaram 13,7% e 16% respectivamente.

Enquanto estiver na condição de pré-candidata à presidência da República os setores oposicionistas da política brasileira procurarão sangra-lá, mas ao mesmo tempo que assim o fazem popularizam uma Dilma que procura ingressar em uma fase menos burocrática e com maior presença física de campo, aproximando-a e tornando-a mais conhecida do eleitorado. O PSDB e DEM procurarão acionar o TSE, por interpretarem a visita às obras como campanha eleitoral antecipada. No entanto esqueceram de avisar a José Serra e Aécio Neves que a campanha ainda não começou. Tentando chover no molhado, a oposição pega carona na mesma Nau imperial que um dia Dom Pedro II imaginou trafegar no Velho Chico transposto, mas que só agora vê em suas margens obras concretas. Em águas tranqüilas Lula e Dilma prosseguem sob uma visão de Sol nascente que só o Velho Chico pode dar.

Azeredo está sempre em ação

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Quando não está agindo diretamente, Eduardo Azeredo (PSDB-MG) dá um jeito de avacalhar indiretamente com a Internet. Desta vez, Azeredo foi o vitorioso relator do PLS 296/2008 de Gerson Camata (PMDB-ES), que segue agora para a Câmara dos Deputados, onde, felizmente, as idéias absurdas de Azeredo e Camata são recepcionadas com menos alegria e falta de discussão do que no Senado. Como era de se esperar, tal PLS era terminativo, ou seja, não passaria pelo crivo do Plenário do Senado, pois tu sabes como é, quanto menos o povo vê, mais fácil fica de atochar estrovengas autoritárias.

Curioso é notar que Azeredo foi o relator do PLS tanto na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática como na de Constituição, Justiça e Cidadania:

15/08/2008 CCT – Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática

Situação: MATÉRIA COM A RELATORIA

Ação: Distribuído ao Senador Eduardo Azeredo, para relatar

23/10/2008 CCJ – Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania

Situação: MATÉRIA COM A RELATORIA

Ação: Distribuído ao Senador Eduardo Azeredo, para emitir relatório.

Claro que o apoio a tal projeto é baseado em fatos sem dados como reporta o Estadão:

Azeredo justifica o projeto como uma forma de investigar crimes virtuais. Ele afirma que “estatísticas mostram que 50% desses crimes são feitos a partir de lan houses”. Entretanto, não apontou a fonte. Segundo ele, o projeto de lei aprovado hoje é um complemento a um outro projeto do qual também é relator e que causou polêmica a ponto até de o presidente Lula classificá-lo como “censura”.

Outra tática é o apelo emocional conjugado com situação hipotéticas no futuro como reporta O Estado de Minas:

Usuário de sites de relacionamento e jogos na internet, o estudante Marcelo Borges Vasconcelos, de 18 anos, acredita que é melhor haver um esforço para garantir o cadastro de clientes do que deixar o assunto sem qualquer regulamentação, como acontece hoje. “A namorada do meu irmão já foi vítima de um site de compras fraudulento da internet, que pegou os dados bancários dela. Se a pessoa que fez isso estivesse acessando de um cybercafé, haveria alguma chance de identificá-la”, acredita o rapaz. Em sua opinião, exigir que o usuário apresentasse o documento com foto seria uma forma de evitar fraudes.

Então é isso: “se estivesse”, “haveria”, tudo no condicional ou no futuro do pretérito. E claro, temos a bizarra fé cega que um meliante identificar-se-ia para cometer um crime, pois, como se sabe, não há crimes no sistema financeiro devido a identificação dos seus usuários…

Dica de Aracele Torres no Trezentos.

Blogado no Não Sou Um Número.