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Arquivo da tag: censura na web

Beto Richa é Censurador! Blogs, Revistas, Pesquisas e o Twitter

Maurício Betti, publicitário e tuiteiro, é a mais nova vítima de Beto Richa, candidato tucano a governador do Paraná.

Richa vem constantemente censurando blogueiros, pesquisas eleitorais, a revista Istoé, e agora partiu para uma nova modalide de censura: A de censurar tuítes. A situação é tão ridícula que até mesmo colunista da Folha chamou o Richa de “mané”.O caso é o seguinte, segundo conta a revista Época, Maurício Betti, que no Twitter responde por M.Betti, supostamente infringiu a lei ao “vazar” o resultado de uma das inúmeras pesquisas eleitorais censuradas pela campanha de Richa. O caso é que todas estas pesquisas vem mostrando uma queda do candidato frente ao seu oponente, o Pedetista Osmar Dias.

Depois de obter na Justiça Eleitoral a suspensão de pesquisas de sete institutos, como o Ibope e o Datafolha, o candidato do PSDB ao governo do Paraná, Beto Richa, conseguiu censurar um texto de 112 caracteres de um usuário do Twitter. O tuiteiro condenado é o publicitário Maurício Betti, que tinha 188 seguidores até a noite da sexta-feira, 1º de outubro. O tuite embargado falava sobre um suposto vazamento de uma pesquisa censurada do Datafolha

Richa entrou com um processo contra Betti para fazê-lo apagar o tão terrível tuíte e, ainda, o fez postar em seu microblog um pedido de desculpas “legal”. A situação só pode nos despertar medo e temor. Estamos diante não só da prática mais grotesca de censura, como também de um monitoramento criminoso de redes sociais e a perseguição à blogosfera e tuitosfera independente.

Não surpreende que o partido de Richa seja o mesmo PSDB do Azeredo, censurador-mor da internet e autor do #AI5Digital.

Eis o que Betti foi forçado a tuitar, para não ter de pagar multa e enfrentar outras consequências – e vale notar que a inteligência (sic) da justiça (sic²) é tanta que o que ele haveria de tuitar sequer cabia num único tuíte! Viva a improvisação!:

Instigado pela @Myris e pelo @Caribe corri atrás do tuíte censurado (já apagado pelo autor por força de decisão judicial), fui atrás do cachê do google e, por sorte, encontrei o tuíte que Beto Richa censurou e mandou apagar:

Beto Richa e todos os DemoTucanos da terra podem tentar nos censurar, usar seu poder e dinheiro para contratarem quantos advogados quiserem e comprarem quantas decisões judiciais forem possíveis, mas JAMAIS irão superar o poder da rede, da colaboração e da militância.

Maurício Betti foi perseguido, censurado e humilhado e deve contar com o total apoio da blogosfera. Beto Richa deve ser desmascarado e, então, enterrado. Ele, Azeredo e todos os demais que atentam contra nossa liberdade de expressão.

Raphael Tsavkko

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A Folha censura a Falha

A Folhas de São Paulo não vê problema algum em  expor uma ficha falsa da ministra da Casa Civil e candidata do presidente Lula a sua sucessão, Dilma Roussef, na primeira página de um domingo, acusando-a de participar de ações terroristas. Não vê problema também em abrir uma página inteira para Cesar Benjamim expor seus fantasmas político-sexuais (à espera de um Wilhelm Reich) e acusar o presidente Lula de estuprador. Acha também perfeitamente natural chamar de ditabranda a ditadura que sequestrou, torturou e matou inúmeros brasileiros. A Folha também não vê problema algum em clamar para o golpe e construir factoides, e muito menos sente qualquer ressentimento de manipular as pesquisas através de seu DataFolha.

Depois de censurar o Blog do Aarles, agora a Folha censura o bem humorado Falha de São Paulo, usando sempre a mesma artimanha, uso indevido da marca, mas não se preocupa em usar indevidamente as imagens e reputações alheias.  A Folha de São Paulo demonstra assim que na prática tanto ela como os demais veículos que discutem o sexo dos anjos e enxergam ameaças fantasma à democracia na verdade defendem o próprio umbigo e não a democracia e liberdade de expressão.

Na verdade os veiculos do PIG querem mesmo é a liberdade de monopólio e não de imprensa.

ADEUS CENSURA

E TUDO SE RESUME AS LEMBRANÇAS.

Comecinho dos anos 80 e lá está a menininha por volta dos seus dez, doze anos, de aparência meio selvagem devido a irritante cabeleira sempre desgrenhada. Nas pernas, as muitas cicatrizes típicas de um moleque que vive se esfolando por ai. Ela joga bola, solta pipa, é imbatível com as bolinhas de gude (a caixa de sapato pesada não a deixa mentir!), joga bete e junto com os amigos, faz do quarteirão o espaço para brincar de pique-esconde. Inegavelmente ela é um moleque! Ela é a única neta no meio de seis netos, não há uma irmã ou prima próxima para as brincadeiras normais de uma garota. Bonecas? As poucas que teve viraram cobaias para testes de combinação de cores com as canetinhas!

Uma infância tranquila como os saudosistas gostam de falar. Será? Talvez para uma outra criança, mas não para ela. A família não era rica, longe disso! Era a típica família classe C daqueles tempos, que eram outros tempos, bem diferente desses que vivemos hoje. Ela recorda com horror que “naqueles tempos” viviam sob a espada afiada conhecida por INFLAÇÃO GALOPANTE.

Eles eram uma família comum do subúrbio do Rio de Janeiro, lá da zona norte esquecida por deus. Ela lembra da emoção de todos no dia em que o moço da TELERJ foi instalar a linha de telefone, o avô chorou e ela, vendo aquilo e sem saber bem o que era aquela reação do velhinho, chorou junto.

Ela gostava de ler! Foi alfabetizada cedo e tratava de ler tudo o que via pela frente, nada lhe escapava. O tio preferido era estudante universitário e para sua alegria a permitia fuçar em sua estante. Que mundo maravilhoso ela encontrou! Da obra completa de Monteiro Lobato a livros didáticos sobre química, havia de tudo um pouco ali! O hábito da leitura tornou-se constante e a menina-moleque passou a ficar mais em casa, e com isso um novo interesse foi-lhe despertado: os discursos inflamados do avô passaram a soar como algo curioso e digno de atenção.

Ele falava sobre coisas como Comunismo, Esquerda, direitos do povo, condições melhores para todos, justiça e principalmente liberdade de expressão. Censura, ele dizia, é um ato covarde contra o cidadão.

A Ditadura ainda existia, o general Figueiredo era o tiozinho careca que aparecia todo domingo na TVS na SEMANA DO PRESIDENTE. Na Globo, Cid Moreira dava boa noite e seu avô resmungava sobre a cara de pau da emissora, e só voltou a gostar de tv quando a REDE MANCHETE, poucas semanas depois de ir ao ar pela primeira vez, exibiu o seu filme favorito: A Noviça Rebelde. Não por acaso tornou-se também o filme favorito da neta que tanto o admirava.

Esse avô, que era brizolista convicto e um humanista em sua totalidade, que muitas vezes sem ter muito o que por na mesa para a família comer, não negava um prato de arroz com feijão aos filhos dos vizinhos que nada possuíam, que sem condições financeiras adotou uma criança com sérios problemas mentais e o amou incondicionalmente como filho. Esse avô, que não tinha estudo, mal completara a quarta série, pois a vida tratou de fazê-lo trabalhar cedo para ajudar no sustento da casa, mas que fazia questão de trabalhar além da conta para garantir que a neta não passasse nunca pelo mesmo e se tornasse uma “moça estudada”. Foi esse avô que colaborou muito para que aquela menina quando crescesse se tornasse a mulher que se tornou… forte, decidida, segura de si, mas principalmente politizada e engajada em causas sociais.

A menininha cresceu e começou a ver que apesar de gostar tanto de combinar as cores, o mundo não era de fato colorido como ela desejava que fosse…

QUANDO O AMIGO ESQUECE DA AMIZADE.

O tempo é um deus, dizem por ai. Mais de 20 anos se passaram e a menina-moleque agora é uma mulher ‘feita”. Ela tem amigos, poucos, escolhidos a dedo, sabe como é, gato escaldado tem medo de água fria! Entre esses poucos existe um que conquistou sua admiração.

Ele é um cara legal, inteligente, que assim como ela ama História e também gosta de colorir o mundo. Ele se compromete com causas sociais e ajuda muitas pessoas e instituições e não faz alarde disso, só faz um pouquinho na verdade, porque vamos combinar, entre as coisas que ambos têm em comum está o ego que tende a inflar fácil! Mas há algo que não combinam em nada, politicamente eles se posicionam em lados opostos.

Ela cresceu com a ROSA VERMELHA NA MÃO, para mais tarde ser seduzida pelo brilho de uma ÚNICA ESTRELA. Ele por sua vez vem da burguesia paulistana, cresceu bem longe da realidade dela, da realidade de qualquer trabalhador proletariado, enquanto aos 15 anos ele estava fazendo intercâmbio na Inglaterra, ela se via estudando em uma escola pública com um ensino pra lá de decadente. Então, combinaram de nunca falarem sobre política para não ocorrer conflitos e desgastar a amizade.

Se tudo fosse fácil assim! Mas não é, porque as pessoas são pessoas! E bem isso por si só já responde muita coisa!

Enfim, ele tem um blog, um blog focado em um determinado assunto que possuem em comum. De fato o blog o tornou um cara popular e suas palavras são lidas por centenas de pessoas, na maioria mentes jovens susceptíveis a abraçar causas advindas de alguém que admiram. Ela o avisa: Cuidado, ser um líder não é falar o que quer ao bel prazer, lembre-se que palavras têm poder.

Uma tarde eles conversam e ela o questiona:

– O que você tem contra o nosso Presidente?

A resposta a surpreende.

– Ele é um mentiroso, não gosto de mentirosos, você sabia que ele mesmo cortou o próprio dedo? Eu vi a máquina que é igual a que ele alegou ter perdido o dedinho e é impossível alguém ter um dedo cortado por aquilo!

Ele fala com convicção, com paixão, com fúria e indignação. Como debater com alguém que crê cegamente em algo, ela pensa. Melhor manter o acordo como está e não tocar mais no assunto.

Dois dias depois outra surpresa, no blog dele ela dá de cara com um vídeo que a deixa indignada.

Preocupada com os comentários que lê, resolve deixar sua contribuição. Abaixo segue o que escreveu, com alterações para não expôr a outra parte.

“Que triste ver o uso de um vídeo claramente distorcido e tendencioso aqui no seu blog, que por sinal não é nem de longe um blog focado em Política. Se você quer trazer o assunto a tona, faça com a mesma disciplina, responsabilidade e justiça com que você aborda todos os assuntos quase que diários aqui. Mesmo que seja para mostrar o outro lado da moeda, mas que isso seja pautado em fontes sérias e não em “achismos” ou distorções propositais. Se assim desejar fazer, saiba que serei a primeira a te dar todo o apoio!

Criticar por criticar sem ao menos se envolver o mínimo que seja nas questões políticas é fazer o mesmo que os tolos que lêem a Veja sem questionar, usando-a como única fonte de verdade incontestável. Me desculpe, mas esse tipo de postura é típica de filhinho de papai que sente orgulho de dizer que começou a trabalhar cedo… como tradutor de textos em inglês para a Editora Abril.

Você usa como desculpa para a sua indignação, o episódio do dedinho, pois me vejo no direito de dar minha opinião sobre isso.

O MEU Presidente nasceu lá no quinto dos infernos de Pernambuco em uma família paupérrima. Eu não conheço o estado, mas tenho certeza de que é bem diferente de Londres. Criança, ele veio para “sumpaulo” em um pau-de-arara, você sabe o que é encarar uma viagem dessas, meu querido amigo? Porque eu sinceramente não sei e agradeço a deus por isso. Menino ainda, ele teve que trabalhar para ajudar nas despesas de casa. Sabe como é, família grande, são sete irmãos e mais a mãe. Não sabe? Também não sei como deve ser… Alguns anos depois ele foi trabalhar como operário em uma metalúrgica e foi lá que ele perdeu o dedinho. Você afirma que foi proposital. Não posso dizer que sim nem que não, porque não tenho conhecimento além do que chegou a mim, mas gostaria de lembrar algumas coisas que deveriam ser levadas em conta.

Hoje graças a administração desse mesmo homem, temos fartura em nossas vidas, mas naquela época não era assim. Esse homem que você acusa de mentiroso vivia uma vida dura, uma vida que provavelmente nem eu e nem você jamais iremos conhecer na própria pele. Ele tinha que ajudar a por comida no prato da família, você já passou fome meu querido amigo? Digo fome mesmo, não aquela dorzinha no estômago de quem ficou um dia todo sem comer, você sabe o que é isso? Pois pela segunda vez eu agradeço a deus… Por tanto, eu se estivesse no lugar dele sinceramente, não pensaria duas vezes em sacrificar um mero dedinho. Afinal o que é um dedinho perto da pobreza, do descaso e da incerteza quanto ao futuro? Imagino que você preveja a sua velhice tranquila sem que nada venha a lhe faltar… pois é, te aconselho a fazer como eu e agradecer sempre por tudo o que você tem.

E só para completar, duas coisas: O MEU Presidente só iria se envolver com o movimento sindical alguns anos depois e vale lembrar que esse depois é em plena Ditadura Militar. E quanto ao vídeo não vou entrar no mérito da questão porque é óbvio que são dois assuntos diferentes sendo falados ali. Mas gostaria de acrescentar que se você quer saber exatamente como funciona a política do programa bolsa família, saia do aconchego do seu lar e vá até as comunidades que são beneficiadas, tenho certeza que você possui sensibilidade suficiente para constatar que nem tudo que reluz é ouro, ou melhor, que nem tudo que brilha é uma Vênus platinada, plim, plim.

Para finalizar fica aqui a minha dúvida, será que você é justo o suficiente para permitir que esse meu comentário seja lido por todos ou irá moderá-lo???

Beijos dessa amiga que te adora e você bem sabe disso!”

ADEUS CENSURA

Pois é, o comentário foi moderado, a arrogância falou mais alto e permitir que alguém o conteste e em “público” pelo visto não é permitido. Isso é censura da pior espécie.

Aquela menina-moleque que cresceu e se tornou uma mulher atenta ao mundo que a cerca, que aprendeu com aquele avô meio socialista, meio comunista e meio anarquista, é essa aqui que escreve.

Nós mantemos a amizade, respeito à posição dele para que respeite a minha, não concordo nem de longe com a postura no mínimo feia, que deliberadamente adota, mas não faço disso um cabo de guerra que não levará a nada.

Sim, eu fui censurada, mas só até um certo ponto, o que mostra que aquela tão sonhada liberdade de expressão que meu avô falava, hoje está ao alcance de todos. Minhas palavras não foram aceitas naquele espaço claramente anti-democrático mas isso não significou que em nenhum momento não encontrariam outro lugar para se fazerem valer.

Eu cresci, deixei de ser a menina-moleca (nem tanto para ser sincera), e o que hoje vejo é um mundo ainda cinzento, um bocado desordenado, com pouco cacique para muitos índios, mas também vejo que caminhamos para boas mudanças, não será do dia para a noite é claro, mas o mundo aos poucos vem despertando e isso não é utopia, é observação atenta dos fatos históricos.

Por isso eu afirmo que censura é hoje algo que está morrendo pelo simples fato de que não há espaço para ela existir. O mundo tornou-se grande e repleto de possibilidades e ela, a tal dona censura, é uma velha cheirando a mofo que caminha a passos lentos e não consegue estar em todos os lugares ao mesmo tempo.

E quanto a minha mania de colorir, essa não mudou mesmo, digo sempre que quero contribuir para “mudar” o mundo, mas que não vejo mal algum em decorá-lo com cores vibrantes!

Ato público contra o AI5 digital no Rio

ATO PÚBLICO CONTRA O AI-5 DIGITAL NO RJ

* Contra o Projeto de Lei do Senador Azeredo
* Em defesa da liberdade e privacidade na Internet
* Pelo livre compartilhamento e troca de arquivos

O Rio vai dizer um Mega Não!

Dia 01 de julho – 18 horas
Auditório da Associação Brasileira de Imprensa – ABI

R. Araújo Porto Alegre, 71 – Centro – Rio de Janeiro – RJ

ai-5-rio

Apoio:

Deputado Estadual Alessandro Molon
Deputado Federal Jorge Bittar (licenciado)
Deputado Federal Paulo Teixeira

Convocatória:

Associação Brasileira de Centros de Inclusão Digital – ABCID
Associação Brasileira de Imprensa – ABI
Central Única dos Trabalhadores – CUT
Centro de Ação e Comunicação Comunitária – CENACOC
Coletivo Ciberativismo
Coletivo Digital
Coletivo Intervozes
Conselho Regional de Engenharia do RJ – CREA-RJ
MegaNão!
Projeto Software Livre – Brasil
Setorial de TI do PT do RJ
Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro
Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro – Sintufrj
Sindicato dos Servidores das Justiças Federais no Estado do RJ – Sisejufe
União Estadual dos Estudantes – UEE – RJ
União Nacional dos Estudantes – UNE

A revolução não esta sendo televisionada

Nunca antes na historia deste pais, a sociedade se organizou, mobilizou e pressionou as entidades públicas em prol de seus direitos de forma tão efetiva e pacifica como estamos fazendo agora no ciberativismo contra o PL 84/99, o AI5 digital.

Não podemos deixar esta constatação passar em branco, não se trata de um fato corriqueiro, mas sim de uma verdadeira revolução, uma revolução que não esta sendo televisionada, uma revolução que não tem mais volta, uma revolução plenamente democrática, o real exercício da cidadânia.

Contrariando todos os criticos, a Internet não nos transformou em alienados, muito pelo contrário nos libertamos das forças alienantes das mídias mono emitidas. Os “alienados” foram os primeiros a enxergar os malefícios do PL 84/99, os “alienados” foram os primeiros a divulgarem estes malificios. Chamar a sociedade conectada de alienada é ignorância ou cretinismo, sabe-se muito bem que a Internet com a sua riqueza e diversidade é um eco-sistema de pessoas, um eco-sistema social, onde a comunicação é apenas uma parte do contexto.

A informação das mídias de massa é extremamente volátil, é preciso um caro processo de repetição para que uma mensagem “média” para um “cidadão médio” ganhe dimensão.  A midia de massa, em especial o radio e a televisão, possuem uma representativa capilaridade no Brasil, de forma que a mensagem volatil chega rapidamente à uma parcela significativa da população, e pronto! Vai ser bom não foi? O povo tem memória curta, não é verdade?

A Internet por outro lado possui características diferentes, sua capilaridade vem aumentando consideravelmente, mesmo com todo esforco despendido por autoridades e legisladores para inviabilizarem os centros involuntários de inclusão digital, as Lan Houses, ela continua crescendo. Computador e acesso estão ficando cada dia mais baratos. Por outro lado, na Internet a informação não é volátil, muito pelo contrário, ela é praticamente permanente, o que a transforma no habitat perfeito para o conhecimento. Estas características são os alicerces do sólido conhecimento colaborativo, construido por todos para todos, numa metáfora natural para o que chamamos de democracia: O poder emana do povo para o bem do povo.

Dentro deste cenário, construiu-se um ativismo diferente, um ativismo eficiente, o ativismo da cibercultura, da nossa cultura, o ciberativismo. Podemos citar diversos movimentos ciberativistas, mas vamos nos ater ao movimento contra o AI5 digital, que não se sabe exatamente quando ele iniciou, eu ao menos entrei nele em 2006, você pode estar entrando agora, isto não faz a menor diferença. O movimento ciberativista contra o AI5 digital é o mais espetacular de todos os movimentos democráticos, é o exercício pleno da democracia, não existe distinção de raça, orientação sexual, posicionamento político, ideologia, credo, e nem mesmo as limitações físicas impostas aos portadores de deficiência são barreiras para que exercamos nossa cidadânia, estamos todos juntos trabalhando para um bem comum!

Estamos pensando e agindo coletivamente, estamos nos “alfabetizando politicamente”, estamos reconhecendo nossos direitos, aprendendo a valorizar o próximo e, estamos aprendendo, como diz Dalai Lama que: uma enorme jornada começa com um pequeno passo. Podemos não perceber isto agora, mas nunca mais seremos os mesmos, estamos reconstruindo a história da democracia no Brasil, somos os agentes de mudança, dificilmente seremos enganados novamente, somos os revolucionários digitais, estamos fazendo a revolução mediada por computador, a revolução da era da participação. Alias por falar em participação, pouco importa o quanto ou como você participa, todos são igualmente importantes, seja aquele que divulga as informações, evangeliza novos ciberativistas, promove mobilizações, escreve a respeito, ou até mesmo aquele que participa dos atos, é um trabalho coletivo.  A assinatura na petição, um post, uma twittada, uma mensagem no Orkut, tudo é importante, pois quando muitos fazem isto estamos disseminando a informação e estamos construindo uma atmosfera positiva para os parlamentares que estão do nosso lado defenderem nossos intereses na Câmara, para que o Ministro da Justiça se posicione de nosso lado, para que personalidades se posicionem de nosso lado, é importante que você olhe no espelho, bata no peito e diga orgulhosamente: Eu sou um ciberativista, estou reescrevendo a história da democracia no Brasil!!!

UOL continua sendo processado no caso Maomé

Publicado em

O Xô Censura foi o único blog a noticiar a censura judicial imposta contra o site ClickJogos devida ao jogo Faith Figthers (que, obviamente, está disponível na Internet) mostrar Maomé, algo que o sr. Sammour (advogado e presidente da mesquita processante) não gostou. O que fica a questão: que direito tem o sr. Sammour de impor sua fé sobre outros? Agora, o juiz do caso arrolou como requerida o site ClickJogos, como se vê na nota de expediente:

Despacho Proferido
Vistos. Compulsando os presentes autos, verifico que em sede de contestação a requerida pleiteou a denunciação da lide da CLICKFOO ATIVIDADES DE INTERNET LTDA., o que até o momento não foi apreciado pelo Juízo, razão pela qual passo a fazê-lo. A litisdenunciante trouxe aos autos o contrato de parceria firmado entre ela e a litisdenunciada, comprometendo-se esta última a arcar com o dever de indenizar regressivamente (fls. 108/118). Assim sendo, em caso de eventual condenação da requerida, poderá essa exercer o direito de regresso em face da litisdenunciada, por força da avença havida entre ambos, subsumindo-se a hipótese ao quanto disposto no artigo 70, inciso III, do Código de Processo Civil, razão pela qual DEFIRO o pedido de denunciação da lide formulado pela requerida, devendo a denunciante acostar aos autos as xerocopias necessárias para citação da litisdenunciada, no prazo de dez (10) dias, sob pena de preclusão. Determino que sejam realizadas as necessárias retificações nos registros, autuação e Sistema Automatizado do Tribunal de Justiça, para incluir no polo passivo, a litisdenunciada, CLICKFOO ATIVIDADES DE INTERNET LTDA. Com as xerocopias, cite-se a litisdenunciada, por Carta com Aviso de Recebimento, no endereço informado pela requerida às fls. 81, último parágrafo, com as advertências legais. Nos termos do artigo 72, “caput” do Código de Processo Civil, DETERMINO a suspensão do processo até que decorra o prazo para eventual resposta da litisdenunciada. Oportunamente será exarado o despacho saneador. Int.

Salvo melhor informação, a existência do jogo não impediu em nenhum momento o sr. Sammour de realizar suas cinco orações diárias voltadas para Meca.

Alguém ensina o conceito de proporção para Ferreira

Publicado em

O procurador (não poderia ser diferente) federal em Varginha (MG) Marcelo Ferreira impetrou uma Ação Civil Pública contra Oi pedindo uma indenização de R$ 50 milhões por dano moral coletivo. O tal “dano” seria o fato da Oi não poder identificar um funcionário que teria criado uma comunidade de apologia ao nazismo no Orkut (sempre lá). Agora a pergunta, que tipo de dano à coletividade esta comunidade criou? Aliás, qual a definição de “coletividade” utilizada? Alguém do dito coletivo pode pegar a sua respectiva parcela do milionário pedido de indenização? Qual a razão de se pedir R$ 50 milhões?

Eu respondo a última questão: o sr. Ferreira está pedindo uma quantia totalmente absurda para um crime sem vítimas (aliás, algo que nem deveria ser crime pois todo mundo tem o direito de ser um imbecil como o tal funcionário; uma coisa é vangloriar uma ideologia abjeta, outra coisa é coloca-la em prática). E dou um exemplo claro da desproproção: o cantor Renner, da dupla Rick & Renner, foi considerado culpado por um acidente que levou duas pessoas à morte em 2001, sendo condenado a pagar 360 salários-mínimo e prestação de serviço comunitário. Para efeito de comparação, os 360 SMs não chegam a R$ 170 mil.

Resumo da ópera: o sr. Ferreira quer pedir uma indenização por algo meramente abstrato de R$ 50 milhões enquanto que a morte de alguém não vale nem R$ 85 mil para a justiça.

E falando em delírios prosecutoriais, um colega de Ferreira, o sr. Fernando Martins, resolveu assumir a paternidade de todos os menores no Brasil (assim como agir de tutor de todos os maiores) e proibir a venda (como se funcionasse) a venda de alguns RPGs que o sr. Martins, utilizando-se da sua mais alta capacidade de raciocínio, descreve como violentos, isso e aquilo e toda a ladanhia disponível no Manuel do Engenheiro Social.