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O controle da internet é a arma dos poderosos

O medo que os governos tem da internet chega a ser cômico… Mas na verdade é assustador! Que a rede tem poder, todos sabemos, o que falta descobrir é seu alcance.

E, também sabemos, os governos fazem o possível para controlar ou, ao menos, amenizar seus efeitos e seu alcance. Foi assim como o Irã, na revolta depois da fraude das eleições de 12 de junho de 2009, foi assim no Xinjiang durante os conflitos étnicos entre Chineses e a minoria Uigur no mesmo ano… Países democráticos ou não estão sempre em busca de ferramentas de controle, seja através da obrigatoriedade de cadastros diversos de websites, passando pelo controle rígido de cyber-cafés ou pela tentativa de aprovação de leis restringindo o acesso livre, a liberdade de expressão e feroz controle dos dados em rede como na Lei Azeredo, felizmente barrada pela maciça manifestação de repúdio dos brasileiros.

A pior de todas as ameaças, sem dúvida, é a ACTA, que vai além até do mero controle da rede, tratando também de assuntos relacionados, de propriedade intelectual e etc, um verdadeiro AI5Digital em escala global.

Agora, me chega a notícia de que os EUA, o Império, está aprontando mais uma das suas, mais uma ação inconsequente: Os americanos querem ter o poder de desligar a internet. Segundo a notícia, a ação se restringiria ao país, o que não torna menos perigosa a iniciativa, mas conhecendo o histórico democrático do país, não surpreenderia se expandissem este “direito” à todo o planeta.

As situações em que este “desligamento” seria possível são os básicos, ameaças terroristas, segurança nacional e outras baboseiras típicos do vocabulário terrorista local.

Por mais que o Irã e a China tenham reduzido drasticamente a velocidade de conexão dos usuários locais para tentar evitar que qualquer tipo de informação saísse, ou tenham bloqueado – e assim os mantenham – diversos sites e redes sociais e também por mais que estes e outros usem diversas ferramentas de controle, censura e espionagem, nunca ninguém chegou ao ponto de pregar o desligamento da internet em si, o apagão completo e o fim da troca de dados contra algum perigo potencial.

Estamos diante de uma grave agressão não só contra a liberdade de expressão, mas contra a própria humanidade que tem hoje na internet um direito básico (vide Finlândia), como uma extensão de nós mesmos.

O desligamento da internet é o mesmo que a negação de direitos humanos básicos, é a punição coletiva pela paranóia estatal e pela paranóia da segurança contra inimigos invisíveis e eternamente potenciais. Não surpreende, porém, que a iniciativa tenha vindo exatamente do país que representa o maior perigo à humanidade e que, exatamente por isto, se torna o principal alvo – ainda que, acredito, 99% das vezes apenas acredite ser um alvo ou estar a perigo, pura invenção de um serviço secreto paranóico e de uma população com síndrome de Deus na barriga.

A questão, aliás, também respinga no que, para os EUA, é um direito sagrado, o das empresas fazerem o que bem entendem – especialmente no terceiro mundo. Empresas de internet como Google, Yahoo, Microsoft e afins estariam sujeitas ao controle do Estado e seus negócios iriam ser enquadrados pelo governo sempre que este sentisse a necessidade de declarar que alguma emergência estivesse acontecendo, por mais fantasiosa que esta fosse – e normalmente é.

Este projeto ainda traria o fantasma do monitoramento perpétuo. Que os EUA possuem as ferramentas para nos monitorar não é novidade, mas estamos falando de um outro nível de monitoramento, totalmente legal, totalmente invasivo e simplesmente capaz de tudo, com poderes irrestritos para garantir a “segurança” do Império. Não resta dúvida de que, falando de internet, o monitoramento não se restringiria às fronteiras de um país, algo não só impossível como ridículo de se pensar quando falamos da web.

Um Big Brother global que, à diferença do que existe, teria poderes jamais vistos, e tudo dentro da mais estrita lei. A deles, dos EUA, mas ainda assim a lei. E o Império costuma ser muito zeloso destas, ao menos quando se trata de enfrentar um inimigo externo, basicamente tudo que se mova e olhe torto.

Vamos acompanhar e protestar. Pressionar no que der e impedir que nossa liberdade seja novamente posta em risco. O controle da internet é a arma dos poderosos, é a demonstração do desespero de quem está acostumado a mandar e ser obedecido, a dizer algo e ter a confiança e não ser questionado e com a internet tudo isto se perde, tudo isto vira fumaça e o controle se torna algo frágil quando enfrenta o conhecimento, a contra-prova, a mídia cidadã e a revolta.

Post original: Blog do Tsavkko
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Sobre Raphael Tsavkko Garcia

Doutorando em Direitos Humanos (Universidad de Deusto), Mestre em Comunicação (Cásper Líbero) e Bacharel em Relações Internacionais (PUCSP). Blog: http://www.tsavkko.com.br Autor e tradutor: http://globalvoicesonline.org e http://pt.globalvoicesonline.org Colunista do Diário Liberdade - "Defenderei a casa de meu pai": www.diarioliberdade.org Twitter: @Tsavkko Facebook: Tsavkko

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  1. No passado nunca existiu internet e nós aqui do Brasil sobrevivemos muito bem.Se um país se sente ameaçado nada mais justo que ele se proteja,muitos falam mal da Corea do Norte mas ela é que está certa,não depende de ninguém e dita suas própias regras.Enquanto o nosso Brasil for o país do carnaval que recebe todos de braços abertos e não tiver regras claras contra isto vai ser esta baderna que vemos nos dias de hoje.É preciso de mão forte contra imigração e privatização,devemos nos unir e seguir o exemplo de potências como a Corea do Norte e o Iran que fazem o tio Sam se borrar de medo.Existe sim muita coisa inútil na internet e que acaba poluindo com a nossa juventude e deve ser barrado pelos militares,devemos prezar por notícias saudáveis para preservar a dignidade de nossa pátria,um ditador sabe o que é bom para sua nação e se ele jogar uma bomba atômica na casa deles vai ser com toda razão.

    Responder
  2. Eduardo, no “passado” não havia eletricidade… vocÊ viveria sem ela hoje? No “passado” não havia sistema de esgoto, não havia água encanada, não haviam aviões, não havia telefone, jornais…. Você viveria sem?

    Sua análise já começa mortalmente errada, deslocada. Aliás, a Finlândia já declarou a internet como direito básico, quase como um direito humano. Negar o poder, o efeito e a relevância da internet é estar no século errado ou ter muita má vontade. aliás, mesmo de má vontade os maiores e mais ferrenhos opositores não conseguem manter seus argumentos quando confrontados com a realidade trazida pela rede.

    Outro erro crasso sue é o de achar que a Coréia do Norte não depende de ninguém. Em que planeta você vive? Quase 100% da economia da coréia do Norte é sustentada pela China e a maior parte do povo só come porque chega ajuda humanitária. O resto – uma parcela imensa – apenas morre de fome, evento comum no país.

    Colocando a internet como um direito básico – como parece ser o futuro – o bloqueio desta seria um atentado contra os direitos humanos. NENHUM governo, NENHUM Estado tem o direito de passar por cima dos direitos humanos, dos direitos básicos de ninguém para garantir uma pseudo-segurança. E, no caso dos EUA, sabemos perfeitamente que, com o poder de desligar a rede em sue território, provavelmente achariam que estão no direito de fazer o mesmo com o mundo… Não me lembro de ter dado nenhuma permissão aos EUA de tomarem decisões por mim.

    E a que baderna você se refere no Brasil? O problema é a imigração como você pinta? Já adianto, não, não é. O Brasil, aliás, é formado por colônias de imigrantes! A não ser que vocÊ seja 100% índio, você é de uma forma ou de outra um imigrante. Xenofobia é a desculpa perfeita de neonazistas para reclamar de sua incapacidade de fazer qualquer coisa: Culpam os outros.

    E, a Coréia do Norte nunca foi potência. O Irã é um outro assunto, dê uma lida sobre a situação (http://bit.ly/acYQ4o). O “tio Sam” dificilmente está borrado de medo, e sim prestando muita atenção ao que acontece à sua volta, como sempre… Medo, os EUA e os governos, tem é da Internet. A liberdade na rede, a contra-informação e a livre troca de informações é o que faz governos se borrarem de medo. A Paz Nuclear é algo bem diferente.

    Quanto à notícias saudáveis… Pra quem? Pra você? Porque sua opinião é melhor que a dos demais? Porque a dos militares – que mataram e torturaram que se opunha ao pensamento deles – é melhor que a de qualquer um? Sua cota de besteiras está se esgotando. O resto nem vale perder tempo. Aliás, porque perdi meu tempo até agora?

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  3. Raphael falou tudo.

    Eles querem controlar a internet porque

    1) ela representa a real democracia e liberdade de expressão – e democracia real no capitalismo (e pior, no imperialismo) é inimigo mortal.

    2) com ela as falsas notícias e ideologias empurradas são contestadas. Então se perde, se dilui o controle ideológico, político e filosófico das massas. Isso representa um perigo para o status quo e as elites que o controlam.

    3) com a internet se permite a organização política das massas, em direção á real democracia e demandas para o governo e legislativo, entrando em choque com os interesses das elites e pondo medo do futuro delas controlarem os Estados-nações, como hoje.

    4) com a internet se troca material autoral, isso desagrada ás corporações, pq pensa q depreciam a artificalização forçada do “valor perceptível” de suas mercadorias, além de reclamarem de prejuízos. Sem falar q materiais livres tb são trocados e isso acaba dando uma over oferta total e materiais, contribuindo tb pela depreciação da escassez forçada do produto autoral.

    Responder
  4. Uma outra coisa: não sei se vcs perceberam, mas as sanhas vigilantistas e canceladoras de direitos por parte da PF e MPF, além das leis e ideologias do Azeredo e Malta é PURO Patrioct Act. Pura HERANÇA do Patrioct Act do Bush. Em que os direitos humanos e as garantias constitucionais vão pra vala do lixo e voltamos ás barbáries pré Revolução Francesa.

    Não me surpreenderia se estas ideologias filhotes da PA norte-americana fossem devidamente infiltradas aqui pela CIA e FBI…………

    Responder
  5. A internet representa liberdade de expressão, sim. Representa democracia nas mãos do cidadão, sim.

    Atos do governo, das autoridades e da mídia numa suposta tentativa de cercear a rede é desnecessário. Porque nossas leis já existentes (Código Civil, Código Penal, Constituição…) são perfeitamente aplicáveis na vida virtual, ao contrário do que muitos pensam.

    Por exemplo, o art. 5º, inciso IV da CF proíbe o anonimato no Brasil. Logo, se valer da rede mundial para atos ilícitos, por exemplo, falar mal de pessoas ou instituições) já começa com a ilegalidade do anonimato, além da difamação em si.

    Liberdade de expressão e democracia sim. Porém com responsabilidade. Publicou, assumiu a responsabilidade. Difamou on line, responde judicialmente. E assim por diante. Nada de liberdade para esculhambar pessoas, instutuições, falar ou publicar impropérios e ficar “de boa”.

    São as leis.

    Responder
  6. Olá!

    Tenho uma proposta para seu blog que acredito ser relevante para você.

    Caso haja interesse, entre em contato!

    Atenciosamente,
    Cristiano

    Responder
  7. Nossa,por que toda essa ingnorância?

    Responder

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