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Tem sempre um promotor para nos tutelar

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O Estado de S. Paulo noticia hoje que a Marcha da Maconha foi proibida nas cidades de São Paulo, Salvador e João Pessoa. Adivinha quem está por trás destes pedidos de censura: sim, o Ministério Público, os engenheiros sociais do Brasil. Em São Paulo, o censurador e engenheiro social é o promotor Marcelo Barone, do Grupo de Repressão e Prevenção  aos Crimes da Lei Antitóxico (Gaerpa). Barone não conseguiu que sua teoria colasse no 1º grau mas achou alguem com, digamos, um modo de pensar semelhante, o desembargador Di Rissio Barbosa. Algumas das pérolas barbosianas:

A ninguém é dado ignorar conseqüência imediata de uma chamada popular com o titulo “Marcha da Maconha”; produto proscrito, por certo não aplaudirá o que já é sancionado, dando oportunidade a especulações de poucas virtudes, ainda que aparentemente sob o manto de liberdades democráticas, com conseqüências somente negativas e irremediáveis
 
Anoto que, em se tratando de local público também não poderá eleger platéia, permitindo-se, em tese, efeitos deletérios até mesmo em crianças muitas, hoje, infelizmente, já vitimadas pelo excesso de liberdade em dia reconhecidamente de confraternização familiar igualmente em áreas públicas de lazer

Quais seriam as “conseqüências somente negativas e irremediáveis” da dita Marcha? Existe algum estudo que aponte aumento no consumo de maconha e/ou outras drogas em decorrência da realização da Marcha da Maconha? E claro que faltava dar uma de Helena Lovejoy e gritar histericamente “quem vai pensar nas criancinhas” em “áreas públicas de lazer”. Não apenas isso, como o sr. Barbosa ainda quer que alguém em praça pública escolha quem escutará sua expressão, algo que é impossível, por ser uma praça pública.

O mesmo argumento das criancinhas em praça pública foi utilizado pela juíza Micheline Jatobá. É impressão minha ou esta gente usa e abusa do “Ctrl+C” e “Ctrl+V”?

Já na Bahia, o nome do(a) promotor(a) (ai, essa gente gosta dum politicamente correto) não foi citado, só o da juíza Nartir Weber, que como Barbosa, tem uma coisa contra discussão de assuntos polêmicos em praça pública:

[N]ão se quer cogitar proibição à liberdade de expressão e se querem discutir a legalidade da maconha, que tal discussão ocorra nas universidades, nas dependências das casas legislativas, não em praça pública, ao sabor dos ‘morrões’ acesos, numa atitude ilícita

Ora só! Mas quem te deu o direito para determinares onde tal coisa pode ser discutida? A tia parece não ter lido a decisão do STF de acabar com a odiosa Lei de Imprensa. E como disse o ministro Direito:

Quando se tem um conflito possível entre a liberdade e sua restrição deve-se defender a liberdade. O preço do silêncio para a saúde institucional dos povos é muito mais alto do que o preço da livre circulação das ideias

Para ser honesto, nem é preciso ir ao STF. Basta saber que o Ministério Público do RS, o pior ministério público do Brasil (no que tange liberdades individuais) se recusou a proibir a Marcha da Maconha do RS.

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  1. É o q eu falo: “A partir da hr q existe a lei de apologia ao crime, a liberdade de expressão e de escolha estão ameaçadas.”
    Um exemplo disso é: Se um dia os fdp’s lá de Brasília ficarem mais malucos do q já são e resolverem criar uma lei proibindo todos os brasileiros de Beberem água e depois q essa lei for aprovada as pessoas resolverem ir pras ruas protestar, estarão correndo o risco de serem presas!!!

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  2. Fiquei enojado com as declarações desse desembargador. Eu adoraria ser vítima desse tal “excesso de liberdade”, já que a liberdade anda cada vez mais escassa nesse país.

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  3. pergunta para os que estao reprimindo o direito de expresao:
    Uma pergunta: Se vc resolve fumar um baseado onde vc gostaria de compra-lo:Na favela,lugar escondido,correndo o risco de tomar tiro de policia ou traficantes…ou em um lugar autorizado com toda segurança,e este com a renda certamente pagara impostos e este voltara para o governo para investimento na saude por exemplo…pense bem pois o maior mal da maconha nao é seus efeitos,mas a repressao sofrida injustamente em cima de quem sabe usa-la com consciencia!

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  4. Francamente… Sob o pretexto de liberdade de expressão, vamos começar a defender drogas? Usar maconha com consciência? Comparar maconha com água? O que mais os senhores irão reivindicar? Pedofilia com consciência? Pode violentar sem machucar, ou a criança antes tem que dizer sim? Caiam na real, maconheiros…. O senhores nada mais são do que um bando de libertinos viciados lutando por mais droga… Acho que usuário é quem deveria estar na cadeia, assim não haveria traficante. Sou a favor da liberdade de expressão na rede, mas tem cada um!!!!

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