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E vamos queimar livros! Parte 4 – A ótica de Milene

O Censura não, é antes de mais nada um espaço democrático. O objetivo deste tema: “Vamos queimar livros!” levantou uma excelente discussão, até onde a intolerância é censura, e até a onde a liberdade de expressão deve ir? Deve existir algum limite?

Desta forma tomei a liberdade de conceder à MIlene Vinhas o direito de expressar seu ponto de vista com seus argumentos e embasamentos como segue na íntegra:

É preciso dar mais valor ao fundo que à forma. A probição de venda dos livros do Padre Abib não é o mais importante no ocorrido, e sim o que há escrito no livro. A questão a se discutir é uma questão de fundo; prender-se à forma seria puerilidade indigna da grandeza do assunto.

Desqualificar a justiça baiana por dar vigor a uma lei que protege os brasileiros não torna os escritos do padre uma coisa digna. Que adianta limpar o exterior do copo e do prato, quando por dentro há rapina e intemperança?

A igreja católica e seus representantes têm o direito de explanar suas verdades, mas não o de contar mentiras (isso é levantar falso testemunho) ou estimular a violência (é uma nova forma de adorar a Deus e amá-lo sobre todas as coisas?).

Não é possível apoiar o livro sem tê-lo lido! É preciso ler o escrito para depois comentá-lo. Fazendo o contrário estaremos emitindo opiniões ignorantes e superficiais.

O livro sugere que os espíritas e demais integrantes de outras religiões sejam privados de sua fé quando manda o católico “combater” o Espiritismo, quando manda que sejam quebradas as estátuas do candomblé. Isso é amar ao próximo e respeitar a religião do outro? Essa é a causa da proibição do livro. Por acaso estariam felizes se criassem uma nova Guerra Santa?

A proibição não é embasada nas diferenças das religiões e sim nas mentiras absurdas que o dito cujo autor do livro escreve e, no estimulo a prática de violência contra os espíritas e integrantes de outras religiões.

Incitar a violência nunca foi uma atitude cristã, é o que este padre autor do livro faz orientando que o Espiritismo seja “combatido” e que sejam quebradas as estátuas do Candomblé… além de tantas outras bobagens. Isso nunca foi, nem será uma atitude que condiz com o mandamento maior do Cristo: Ama ao próximo como a ti mesmo. Se faltar com o respeito é amor ao próximo então este padre deve mesmo saber nada sobre moralidade e educação social.

O mal dos tempos modernos é querer continuar vendando os olhos das pessoas e impondo uma verdade totalmente desprovida de inteligência e bom raciocínio lógico.

Dizer que não gosta é uma coisa, ele tem esse direito, mas dizer que não presta são outros quinhentos. Talvez o desejo de atrair a admiração das outras pessoas seja maior do que o compromisso com o bem estar geral. Por isso todos têm o dever de RESPEITAR e AMAR o seu próximo.

Alguém que se incomode com um livro espírita também deve tomar uma atitude a se dirigir à justiça, exigir seus direitos.

Há alguns anos o pastor Von Helder chutou uma imagem de nossa senhora de aparecida, será que pessoas de bom senso aprovaram este ato? Liberdade de expressão?

Uma coisa é a liberdade de expressão outra coisa é difamar algo ou alguém. Quando este padre diz para arrebentar as imagens de Iemanjá ele não incita a violência e tentando intimidar as pessoas que tem outras religiões? E quando ele mente dizendo que o médium de passe ora para satanás no momento do passe ele está sendo coerente?

Apenas em relação ao passe fluídico (assunto comentado no livro), não é preciso “orar para Satanás”. Herculano Pires expõe em um de seus livros que as descobertas atuais da Parapsicologia, e particularmente as da Universidade de Kirov, confirmaram a sua validade. Nas experiências de Kirov as manifestações dos fluídos foram vistas e fotografadas pelos cientistas soviéticos, que arriscaram a cabeça para proclamar a importância dos fluidos mediúnicos na terapêutica do futuro, verificou-se por meios tecnológicos recentes que a força-psíquica de Willian Crookes é uma realidade vital na nossa própria estrutura psicofísica. O ectoplasma de Charles Richet, agindo nessas experiências como um plasma radiante, confirmou a teoria espírita (de Kardec) da ação de fluidos sem imateriais nos fenômenos de telecinesia (movimento e levitação de objetos à distância). Deste estudo resultou a comprovação da existência dos fluidos vitais invisíveis do organismo humano e de todos os organismos vivos, fotografados pelas Câmeras Kirlian .

É preciso evangelizar como Jesus instruiu, mas sem criar invencionices apenas para validar sua obra. Alguns trechos da Bíblia devem ser interpretados com cuidado para não tolir o raciocínio lógico e esconder a verdade. Curioso a Bíblia proibir que se fale com os mortos. Então porque muitos falam com Jesus que já morreu? Nem preciso citar todos os Santos (que também já morreram) com quem muitas pessoas falam em suas orações. Porque Jesus falou com Moisés, que já estava morto? Porque Jesus pode e os outros não?

Criticar o Espiritismo, o Candomblé, ou qualquer coisa, é muito fácil, difícil mesmo é agir como Jesus ensinou. Todos têm o direito de dizer o que sentirem vontade, mas têm o dever de dizer palavras coerentes com a realidade sob pena de se ajustar com a justiça dos homens e de Deus. Todos têm o dever de arcar com as conseqüências, escrever mentiras é feio! O direito dele acaba quando começa o do outro!

Podem existir vários conceitos, mas censura é definida por:

“poder do Estado de interditar ou restringir a livre manifestação de pensamento, oral ou escrito, quando se considera que tal pode ameaçar a ordem pública vigente;”

Meus conhecimentos não são suficientes para avaliar se a censura é necessária ou não, mas acredito que é necessária uma atenção especial para as pessoas e obras que falam ou escrevem sobre o que não dominam, a não ser que sejam livros de ficção. Acreditar que o padre tem o direito de escrever tantas mentiras quanto queira, implica em acreditar que é correto difamar pessoas e instituições sem provas.

José Medrado, o médium espírita que denunciou esta agressão, como sempre, agiu não só como cidadão digno, mas também como cristão. Como disse o Apóstolo Paulo em ICo 6.12: todas as coisas me são lícitas mas nem todas as coisas me convém. Todo mundo pode mentir, mas isso convém? O bom senso de cada um irá dizer.

MIlene Vinhas

Sobre João Carlos Caribé

Consultor Trandisciplinar, formado em Publicidade e pós graduado em Mídias Digitais. Foi um dos pioneiros do ciberativismo pela liberdade na Internet, conquistando o prêmio Frida em 2011 pelo trabalho desempenhado na defesa da liberdade na Internet no Brasil. Também sou conselheiro no primeiro Conselho de Coordenação da NETmundial Initiative e membro do comitê executivo da NCUC na ICANN, ambos representando a sociedade civil da América Latina e Caribe. Também sou membro da Internet Society Brasil, Red Latam, BestBits, Comunidade Diplo, Dynamic Coalition on Network Neutrality and Global Net Neutrality Coalition.

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  1. Boa noite a todos!
    Por que vamos censurar as pessoas de dizerem algo estúpido? Essa parece ser a idéia da Milene – impedir que as pessoas expressem idéias prematuras sobre determinado assunto. Apesar de parecer uma ação inofensiva, é o primeiro passo para a censura geral. (Pense só em quem vai determinar o que é estúpido ou não)
    Na minha opinião, quem escreve, palestra ou prega algo que não entende, acaba fazendo papel de tolo e perde a credibilidade. O que acho que deveria acontecer com o padre.
    Concordo com a Milene que cada cidadão deve estar protegido de injúria e difamação. No entanto, quem poderia ter sido difamado ou injuriado são as entidades religiosas debatidas, não seus seguidores. Se, por algum acaso, Iemanjá aparecer na delegacia para dar queixa, que corra o processo civil.
    Os que se sentiram ofendidos pela opinião do padre, com certeza não têm fé inabalável no que acreditam. Pois se tivessem, não seria um livrinho que causaria tanta dor de cabeça.
    Abs

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  2. Vinicius Maia Cardoso

    Prezados Amigos

    Acho que o caso não se trata de censura, ou retorno à censura. Ela foi utilizada durante a Ditadura Militar para reprimir o pensamentol contrário à própria Ditadura. Inclusive o pensamento de muitos representantes de Igreja! O caso é que o livro representa um pensamento retrógrado, conservador e intolerante. E isto é proibido pela lei. Acaso houvesse uma nova edição do Mein Kampf, deveríamos deixá-la invadir as livrarias e não reprimi-la por motivo de ser censura? O caso é que esse representante da Canção Nova, e portanto veiculador do pensamento da própria entidade, que é o pensamento vigente dessa entidade, que não representa o pensamnto da Igreja como um todo. Foi correta a ação da justiça, e justa a reclamação dos praticantes do Candomblé e da Umbanda. Esse senhor, monsenhor, é ignorante, em sua formação, da história, da sociologia e da democracia. Mereceu.

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  3. Sobre o livro do pe Jonas Abib;”Sim SIM NÃO NÃO”foi escrito para Cristãos Católicos,ele não diz para sairmos por aí quebrando imangens pagãs dos outros,mas sim as que o Católico tem em casa já que esse culto é incompativel com a fé cristã.O livro é um puxão de orelha aos católicos que não se decidem entre sua fé e outros cultos.Não é discriminação é só a verdade ,Ecumenismo difere de sincretismo,uma coisa é dialogar e respeitar ,outra é misturar os cultos.Não falo em nome do autor ou Editora,sou só uma leitora e podem recolher o livro quem tinha que ler já leu.Obrigada

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