A ganância vigilantista dos governos sobre a Internet não novidade, como já citava Castells em seu livro “A Galáxia da Internet”, página146, publicado em 2001:
(..) No ano 2000, governos do mundo já levavam a sério a ameça do que rotularam de “cibercrime”. Tornara-se claro que a infra-estrutura das comunicações por computador, de que a riqueza, a informação e o poder em nosso mundo dependem, era extremamente vulnerável a invasão, interferência e destruição. (..)
(..) Na verdade, o perigo real, seja na forma de dano da propriedade ou pessoas, era muito limitado, e usualmente superestimado: nada comparável com a perda de vidas humanas, a degradação ambiental e até o prejuizo financeiro inflingido pelos infortúnios, digamos, da indústria automobilisitica (lembre-se de Firestone/Ford) ou da indústria química (lembre-se da Bhopal). No entanto, a noção de redes de computador inseguras é literalmente insustentável para os poderes vingentes em nosso mundo – tudo depende dessas redes, e o controle sobre elas é um princípio essencial da manutenção de uma posição de controle. (..)
Na prática, toda esta ganância vigilantista é uma consolidação deste interesse dos governos no controle da Internet, e já vemos ai que “os fins justificam os meios”, as táticas são as mesmas de sempre, as mesmas utilizadas na implantação do vigilantismo:
- Disseminação do medo;
- Disseminação superestimada dos delitos;
- Citação pontual e repetitiva dos fatos, criando uma percepção de calamidade;
- Justificativas bem intencionadas, no caso Americano o combate ao terrorismo, no Brasil a pedofilia;
Existem outras tais como a que o Senador Eduardo Azeredo utilizou na ocasião da da aprovação de seu projeto maquiavélico no Senado em julho deste ano. O que ele fez foi uma votação de “emboscada”, fazendo uma paródia para o conceito de marketing de emboscada. O PL foi colocado em votação extra-pauta e junto com o projeto da pedofilia, e continuou pegando carona e provocando uma conveniente confusão com este projeto, tanto no legislativo como na imprensa e na sociedade, um golpe de mestre, do mestre do vigilantismo.
A implantação do vigilantismo é uma tendência mundial, iniciada pela tal “Guerra ao Terror” de George Bush, oportunamente deflagrada apos o ataque de 11 de setembro. O totalitarismo e o vigilantismo foram aos poucos sendo implantados, de forma que os EUA rumam a implantação de um estado facista, onde através de diversas emendas, sempre em nome da segurança nacional, trucidaram a constituição americana.
Em alguns paises da Europa, por incrivel que pareça leis vigilantistas vem sendo bem aceitas pela população, em especial na Inglaterra e na França, ao contrário com o que vem acontecendo na Espanha, nos Estados Unidos e no Brasil. E esta reação inesperada e crescente da sociedade, utilizando uma eficiente comunicação em rede vem surpreendendo aos embaixadores do vigilantismo, que em resposta estão levando as paranoias ao extremo, produzindo o que chamo de histeria do vigilantismo.
A sociedade em rede, utilizando-se da Intelegência coletiva de seus nós, somam-se e multiplicam o conhecimento, um trabalho de formiga vem sempre rapidamente apresentando diversos contra-argumentos a qualquer argumento vigilantista, elucidando a população frente ao embuste que vem por ai.
O último fato que vem ganhando a midia é um relatorio das Forças Armadas Americanas onde eles argumentam que celulares, mapas digitais, mashups, gps, e até mesmo o Twitter são potenciais armas nas mãos de terroristas. A imprensa em geral vem publicando com uma certa ironia e perplexidade, afinal afirmar que o Twitter é uma potencial ferramenta terrorista é tão absurdo quando afirmar que se pode matar alguem usando uma folha de papel. De fato se passar uma folha de papel rapidamente ela corta feito uma navalha, mas nem por isto precisamos de autorização para comprar uma resma de papel ou ele foi incluido como potencial arma terrorista. A questão é a tal da estratégia que citei acima, não que os veiculos que noticiaram a respeito estejam seguindo ao “manual do estado policial”, mas acabam involuntariamente colaborando, mordendo a isca que foi deixada.
O relatório fala essencialmente de mobile, fala do uso associado de mobile + gps para monitoramento e posicionamento e acionamento de bombas, uso do celular com camera para monitoramento e vigilância de inimigos, softwares para mudar a voz nos celulares e por fim falam do Twitter.
No caso do Twitter, o relatório cita uns exemplos bem simplórios, e foca na questão de que o Twiiter permite a comunicação de muitos para muitos extendida aos celulares, possibilitando funcionar como um sistema de coordenação em tempo real. Até pode ser, mas levando em conta o tempo que demora para chegar um SMS ou o tempo de atualização do Twitter em modo 3G, que representam poucos segundos, ainda sim, não parece ter a sincronicidade de uma ação coordenada via radio por exemplo.
A questão é que este autor, já habituando-se ao discurso politico, onde o que se fala não é o que se deseja falar, posso entender que na verdade o que esta incomodando é de fato a essência da Internet, que permite mobilização e disseminação em larga escala, e desta forma permite que pessoas se comuniquem, construam seus conhecimentos, e principalmente “desnudem o rei”, e como sempre eu falo, a real preocupação do rei é não ficar nú!