No domingo passado eu comecei a ter febre e dor no corpo. Na segunda-feira, a febre chegou a 38,9 e fui ao pronto-socorro. A médica me deu alguns remédios (antiinflamatório, anti-histamínico e vitamina C) e me disse para procurar um otorrino caso eu não melhorasse até quarta-feira.
Eu melhorei da febre, mas, com a obra, a garganta inflamou um pouco e ontem de manhã eu estava sem voz, com o nariz totalmente congestionado e, conseqüentemente, com dor de cabeça e sem respirar direito. Como tenho tendência crônica a ter problemas de garganta e sinusite, achei que era melhor dar um pulo no otorrino. Afinal, pago o plano de saúde e devo usá-lo para não jogar dinheiro fora, certo? A esta altura do campeonato, não sei…
O diálogo a seguir aconteceu ontem de manhã, na clínica XXXXXXXXX, que fica na XXXXXX de XXXXXX. O médico era o dr. XXXXXXXXXXX (CRM-RJ XXXXXXX-? – dígito ilegível).
Entrei sem voz no consultório e sussurrei: “Bom dia”.
Médico: “Nossa, você está sem voz! Desde quando está assim?”
Eu: “Hoje de manhã.”
Meu marido disse: “Eu vim de intérprete.” (risinhos gerais)
Ele pegou uma espátula e deu uma olhada (durante aproximadamente 3 segundos) na garganta e concluiu, em tom definitivo: “Ah, é só uma inflamaçãozinha na garganta. É normal nessa época do ano. Tem diabetes ou hipertensão?”
Respondi que não e ele se sentou na mesinha para receitar os remédios. Eu, sem acreditar no que estava acontecendo, virei para o meu marido e fiz gestos, pedindo para ele explicar a situação. meu marido começou:
“Olha, ela teve febre alta na segunda.”
Médico: “Hum-hum.” (Sem levantar o olhar do papel.)
Meu marido: “Ela está com o nariz muito congestionado.”
Médico: “Teve dor de cabeça?”
Meu marido: “Ela disse que está com dor de cabeça desde hoje de manhã.”
Médico: “Hum-hum.” (Com o mesmo desdém.)
Fiz gestos para o meu marido mostrar a ele a receita que recebi na segunda.
Meu marido: “Olha, ela está tomando estes remédios.”
Médico: “Hum-hum. A gente vai fazer um pouco diferente, viu? Você vai tomar Decadron durante 5 dias e depois vai passar para a Loratadina (que eu já estava tomando) durante 10 dias. À noite, vai pingar dois jatos de Flixose antes de dormir. Se tiver dor de cabeça, pode tomar um Tylenol.”
Eu, desesperada, pedi ao meu marido para dizer que eu costumo usar Nasofelin à noite.
Meu marido explicou e o médico disse: “Tudo bem, mas agora você vai usar este. Não vou dar antibiótico por enquanto. Vamos evitar.”
Eu, com cara de abismada, olhei para o meu marido, que disse para o médico: “Olha, ela já esteve no hospital na segunda e a médica disse que, se não melhorasse, era para vir aqui e que era melhor entrar no antibiótico.”
Médico: “É, se tiver febre de novo, você volta aqui e a gente vê o antibiótico.”
Eu, desesperada: “Mas eu não posso parar de trabalhar.”
Médico: “Tá certo. Se piorar, você volta.”
Com isso, quase nos botou porta afora.
Esse diálogo/consulta durou menos de 5 minutos. NÃO ESTOU EXAGERANDO! O médico não quis saber NADA além da “inflamaçãozinha” na garganta suposta por ele. Simplesmente não fez anamnese, então não sabe:
- que tenho tendência crônica a sinusite, laringite e faringite;
- que não tenho amígdalas;
- que eu estava suando frio;
- quais eram meus sinais vitais (pressão arterial e batimentos cardíacos, no mínimo);
- que eu não estava respirando direito.
SURREAL! Como é que o cara me receita um corticóide assim, sem me examinar, sem saber meu histórico médico??? Fiquei muito chocada. Os efeitos colaterais dos corticóides são BEM piores que os efeitos de tomar antibiótico por uma semana.
Resultado: comprei uma caixa de amoxicilina e comecei a tomar por minha conta e risco.
Minha conclusão, depois de algumas desventuras semelhantes, é que médico bom no Rio de Janeiro é uma raridade! De memória, eu salvaria o dr. XXXXXXXXX (excelente ortopedista) e a dr. XXXXXXXX (excelente ginecologista).